NO BRASIL
- Começando pelo começo, a história do descobrimento do Brasil continua, mais de cinco séculos depois, muito mal contada. Oficialmente, ainda vale a versão do ‘‘ops, foi sem querer; era para chegar às Índias’’. Mas, como não dá para acreditar para sempre que um vento bateu errado e as caravelas deslizaram quilômetros e quilômetros mar oeste, têm ganhado cada vez mais força versões que admitem a intenção portuguesa de chegar aqui.
- Em 1957, a Império Serrano cantou que ela era o máximo. Mas, cá entre nós, sambas-enredos não costumam ser muito fiéis ao tema. E com D. João VI não foi diferente – não tanto porque teria tomado seu primeiro banho somente aos 50 anos, mas porque prometeu devolver o ouro que raspou dos cofres brasileiros ao voltar a Portugal em 1821. Iniciando uma tradição que atravessaria os séculos no Brasil, claro que ele não devolveu nada.
- ‘‘Para inglês ver’’. A expressão vem de uma maracutaia brasileira dos tempos do Império, quando a Inglaterra queria dar um fim no tráfico de escravos e o Brasil não. Ficou acertado que os dois lados poderiam patrulhar a costa brasileira, apreender navios negreiros e julgar os envolvidos. O Brasil cruzou os dedinhos na hora de assinar o acordo e fez uma majestosa vista grossa aos traficantes, que continuaram ganhando oceanos de dinheiro.
- João Alves, um dos anões do orçamento, eleito deputado federal com votos do sul da Bahia, foi acusado de desvio de US$ 20 milhões de dólares quando presidia a Comissão de Mista de Orçamento em 1991. Saiu-se com uma pérola da mentirologia nacional, dizendo que Deus o ajudara e o fizera ganhar 200 vezes na loteria. A verdade é que comprava bilhetes premiados para lavar o dinheiro, recebido como propina de empresários beneficiados com obras incluídas no Orçamento-Geral da União. Foi cassado.
- Na linha ‘‘faça o que eu digo, não faça o que eu faço’’, na campanha de 89 à Presidência da República, Collor achincalhou Lula até a alma. Entre as pedras, uma saiu do estilingue do temor aos ‘‘vermelhos’’: gente do PRN andou espalhando que Lula confiscaria o dinheiro de todo mundo, sem dó, pena ou indulto. Não deu outra: Collor venceu e fez a rapa no bolso dos brasileiros.
- Nessa, até quem contou a mentira acreditou. Tomate chifrudo ou boi com gosto de tomate? Nos anos 80, a revista ‘‘Veja’’ publicara a incrível (e inexistente) história do boimate, ‘‘furo’’ encontrado numa revista científica inglesa. Depois de exaustivos estudos, pesquisadores teriam conseguido criar um combinado de genes de boi e tomate. A notícia foi desmentida na edição seguinte.
MUNDO AFORA
- Bill Clinton disse que fumou, mas não tragou maconha. Argumento que não convenceu quando, no início de 1998, o assunto foi o ‘‘charuto à Monica Lewinski’’. O ex-presidente dos Estados Unidos enrolou, enrolou, e disse ‘‘eu não tive relações sexuais com aquela mulher’’, mas não colou. Diante das evidências da consumação do ato, apelou para a discussão conceitual: foi só sexo oral, o que, tecnicamente, não era sexo de verdade, como gente grande faz. Oito meses depois, admitiu ao Grande Júri e posteriormente em cadeia nacional de TV ter mantido ‘‘relações impróprias’’ com a ex-estagiária da Casa Branca.
- A família real inglesa não ficou muito atrás dos Clinton. O príncipe Charles negou anos a fio a continuação do seu romance com Camila Parker-Bowles, namorada desde épocas remotas. Mas o casal foi traído pelo celular, este grande vilão de casos extraconjugais. Disse o herdeiro do trono real à sua amante que, puxa, quem dera ele fosse seu Tampax. ‘‘Oh, que maravilhosa idéia, Charles!’’, respondeu Camila. Para o mundo inteiro ouvir.
- Em outubro de 1938, uma mentira colocou os norte-americanos para correr. Mas Orson Welles não foi cara-de-pau: mentiu apenas a título de experiência. Durante quase uma hora, veiculou via rádio notícias relacionadas a uma suposta invasão de marcianos, com direito a cobertura jornalística em tempo real. Quem desavisadamente ligou o rádio e pegou o bonde andando não soube que se tratava de um programa em que Welles contava histórias (esta, ‘‘A Guerra dos Mundos’’, é um clássico de H.G. Wells). O susto só passou no encerramento da atração, quando tudo foi esclarecido.
- Da era digital: a praga dos spams já pregou peças em muitos internautas. E-mails prometendo dinheiro fácil em troca do encaminhamento da mensagem a todos os parentes, amigos e inimigos da vítima inundaram computadores no mundo inteiro. Tudo para que empresas fornecedoras de mailing criem uma lista imensa de e-mails para vender.

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