MENTE CRIATIVA - Sonho de Ícaro
PUBLICAÇÃO
sábado, 27 de abril de 2013
Carolina Avansini <br> Reportagem Local 
Quando era criança em Paraíso do Norte, na região noroeste do Paraná, o empresário Bilmar Dias Pereira, mais conhecido como Bill, sonhava em fazer voar qualquer pedacinho de madeira que lhe caia nas mãos. Tal como Dédalo, pai de Ícaro, que na mitologia grega simboliza a engenhosidade humana através da criatividade das invenções e perfeição dos trabalhos, Bill sempre teve uma mente imaginativa e uma impressionante capacidade de entender o funcionamento das mais variadas engenhocas.
Também como Ícaro, que voou até bem perto do sol com as asas fabricadas por seu pai, este paranaense está prestes a realizar o sonho de voar em uma aeronave construída pelas próprias mãos. Conhecido no universo da aviação experimental pela fabricação de equipamentos diferenciados para o trem de pouso de aviões desta categoria, ele projetou e agora está construindo o Infinity, uma aeronave genuinamente londrinense que, segundo o empreendedor, reúne as melhores características de modelos similiares.
Autodidata, Bill despertou para o mundo dos motores aos 16 anos, em Paraíso do Norte, onde, por necessidade, deixou os estudos ao final do segundo ciclo do nível fundamental e começou a trabalhar na área de equipamentos de uma usina de açúcar e álcool. ''Foi a minha 'faculdade''', considera ele, que desde então tornou-se autodidata na projeção e montagem de máquinas.
Durante os quase 30 anos em que trabalhou numa indústria de equipamentos agrícolas, acumulou experiências que incluem a montagem de uma fábrica de antenas para captação de sinais de satélites e três viagens para levar tecnologia brasileira à África.
Quando deixou o trabalho de três décadas, não se acomodou. Empreendeu um novo negócio, na área de geração de biogás a partir dos dejetos das granjas de criação de suínos e aves. A vontade de trabalhar com aviação, porém, continuava latente no espírito inquieto do piloto que começou a voar, por hobby, em 1990. Assim, ele deixou o negócio de energia renovável - onde ainda atua como consultor - e surpreendeu o mercado com a produção do kit completo para trens de pouso, com rodas e freios, que ainda não existia no Brasil. ''Atendo em torno de dez fabricantes brasileiros de aeronaves experimentais'', conta.
A experiência somada à participação em feiras internacionais de aviação trouxe subsídios para colocar em prática o sonho de construir o próprio avião. ''Será baseado em um modelo canadense, mas com alguns diferenciais'', antecipa ele, citando a utilização do alumínio e o bom espaço interno como algumas das vantagens.
Reconhecido como expert na regulagem e ajuste de aviões experimentais, ele pretende colocar o Infinity no ar dentro de, no máximo, 40 dias. O empreendimento foi possível graças a um investidor que, conhecendo o talento de Bill, apostou na ideia e acreditou no sucesso comercial do produto.
Modesto, o criador do avião considera que apenas teve a sorte de ter nascido curioso e com extrema facilidade para aprender. ''É essa aptidão que me ajuda'', acredita. Atualmente dedicado ao Infinity, ele reconhece também que não é uma pessoa acomodada. ''Não consigo ficar fazendo a mesma coisa por muito tempo. Não tenho medo de mudar.''


