Menos telas, mais brincadeiras
Ao invés de construir o próprio pensamento simbólico, crianças que são exageradamente expostas a tecnologias acabam absorvendo os símbolos oferecidos pela mídia. "Tudo aquilo que, gratuitamente, vem ao seu encontro pelas telas, deveria ter sido construído pela criança", afirma a pedagoga Eliana Morinaka, coordenadora do Instituto de Educação Infantil e Juvenil (IEIJ). Diante da experiência de 43 anos trabalhando com estudantes, ela garante que a criança pequena só aprende através da experiência. "O visual só tem valor se houver a experimentação da criança com o objeto de aprendizagem. A criança desenvolve a inteligência através do movimento e da motricidade", ensina, destacando que, nesta idade, desenvolvimento corporal é que vai dar o equilíbrio para o desenvolvimento cerebral.
Por isso, Eliana é categórica. "Quanto menor for a criança, menor deve ser o tempo de exposição à tecnologia. Meninos e meninas devem ficar fora de casa, desfrutando de brincadeiras ao ar livre", pede. Ela defende que a tecnologia é um dos recursos para promover a aprendizagem. "Mas não é a aprendizagem em si mesma que vai ajudar o sujeito a desenvolver a inteligência. É preciso, portanto, a orientação do professor, na escola, para orientar e conduzir a ferramenta para o uso adequado", comenta.
No dia a dia, ela observa que a capacidade de atenção das crianças e dos jovens está cada vez menor. "Além disso, as crianças sentem maior dificuldade em desenvolver o pensamento simbólico, uma vez que tudo lhes é dado, e não construído", reforça. O uso exagerado de tecnologias também influencia o desenvolvimento da motricidade fina em seus mais diversos aspectos, como marcenaria, atividades manuais e jogos.
Para a pedagoga, a tecnologia, apesar de importante, não está ajudando as pessoas a terem igualdade em seus relacionamentos com a maior diversidade possível. E cita exemplos recentes, como agressões a imigrantes e incêndios em oficinas onde trabalhavam bolivianos, para reforçar que "a tecnologia em pouco ajuda a melhorar os relacionamentos internacionais humanos". "Hoje, a tecnologia ajuda a criar grupos que se aproximam por semelhanças para rechaçar os diferentes. Estamos polarizando cada vez mais as pessoas", opina. (C.A.)





