Maurício Marcondes Ribas, presidente do CRM-PR, aponta que a disponibilidade de médicos especialistas em geral varia conforme vários fatores, entre eles remuneração e infraestrutura para o trabalho.

"Não faltam médicos, mas muitas vezes faltam condições de trabalho. Por exemplo, um neurocirurgião vai precisar de um centro cirúrgico adequado, de uma estrutura de pós-operatório, e isso só vai estar disponível em cidades de médio porte para cima", explica.

Além do menor interesse pela obstetrícia, Ribas aponta outra tendência: os médicos jovens estão se interessando menos em se especializar em áreas que demandam trabalho em consultório, como pediatria.

"O jovem está se direcionando muito para o trabalho como plantonista, ele pega quatro, cinco escalas em hospitais diferentes. A clínica médica é pré-requisito para outras especialidades, por isso a procura ainda é grande. Mas o interesse por trabalho em consultório está diminuindo", explica.

Ribas teme que as tendências atuais gerem problemas adiante. "O pediatra precisa estar no campo de trabalho. O médico mais apto para atender crianças é o pediatra. Nós estamos em um momento de grande evidência do médico de saúde da família, que atende todas as pessoas da casa. Nas unidades básicas de saúde, o pediatra quase não tem atuado diretamente. Ele só atende depois da criança passar pelo médico de saúde da família. Da mesma forma, entendemos que o melhor é que a gestante seja atendida por um obstetra", afirma o presidente do CRM-PR.

Eduardo Novak, gerente de Ensino e Pesquisa e responsável pelo Programa de Residência Médica do HC-UFPR, concorda em parte com a preocupação de Ribas.

"Nosso hospital forma os futuros médicos que atenderão em consultório, prontos-socorros, hospitais. Até o presente momento, não temos tido reflexos nos programas de residência do HC que possam corroborar essa afirmação (de que jovens médicos não têm se interessado por trabalho em consultório). Mas, falando de modo empírico, parece, sim, que está havendo um desestímulo ao médico manter o consultório. Os custos são altíssimos. Só os gastos mensais com uma secretária já representam dezenas de consultas que o médico deve atender. São poucos os profissionais que conseguem atender somente consultas particulares em seu consultório próprio, em que paga secretária, internet, limpeza, aluguel, material de escritório, impostos...", argumenta. (F.G.)

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