Melhorando as esquinas da casa
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 27 de janeiro de 1997
Danielle Brito Especial para a Casa&Cia 
ReproduçãoHarmonia Quadros, abajures, mesas e cadeiras: soluções tradiconais
Os cantos da casa ou apartamento não devem ser tratados como espaços menos nobres. A expressão jogado num canto deixa de ter sentido quando essas esquinas da casa passam a ser valorizadas com objetos que representam a pessonalidade de quem convive com elas.
Quando o espaço é pequeno, os móveis e outros itens que irão compor esse cenário devem se encaixar com racionalidade e harmonia. O canto pode se prestar a uma atmosfera de vitrine de curiosidades e abrigar livros, fotografias, cinzeiro, diário, luminária e outros objetos. Pode-se deixar revisitar pelo clássico com mesinha, quadros e um tradicional abajur. Vasos com plantas também são opções muito usadas e práticas.
Há também aqueles que preferem simplesmente não ocupar o esse espaço, é a chamada tendência minimalista muito em voga hoje dia. O canto é uma parte que diz muito do estilo da casa e pode ser o lugar destinado para aquele detalhe especial. O canto é uma micro composição. Ali você constrói um pedacinho do que está no resto, ensina o arquiteto londrinense, Kléber Ferraz Monteiro.
O design de interiores passa atualmente por um momento de reviver antigas tendências. Segundo Kléber, isto acontece porque, assim como na moda, o repertório de móveis e objetos é pequeno e se esgota com facilidade. Você é obrigado a retomar e atualizar o uso de formas antigas. O neomoderno é uma recomposição dos anos 60 com 30, 40 com 80... Todo desenhista trabalha com essas recomposições, diz ele.
ReproduçãoCortinas e estantes também fazem parte das soluções
A indústria comanda a marcha da operação de modernizar/atualizar da arquitetura de interiores. É possível encontrar móveis confeccionados em materiais atuais com designer antigo. Pega-se o já visto, o que já foi usado e é conhecido e modifica-se, joga-se um pigmento que não faz parte da linguagem de época. Um exemplo é atenuar as tensões trocando a cor laranja pela branca, sugere Kléber.
Nesse jogo entre passado e presente vale até misturar objetos de poéticas diferentes. O clássico assume uma composição de extrema liberdade. Entre as sugestões do arquiteto para cantos estão os habituais cadeira, mesa e quadros. A arte pop quebra a sisudez do ambiente pastel. Admite-se composições de fontes das mais variadas, revela.
O canto do quarto de dormir forma uma composição caótica. O papel de parede em tom de azul, a reedição de tecidos antigos, os objetos sobre o criado. Para Kléber, a noção é de Mercado de Pulgas, uma teatralização do espaço doméstico. O canto é o lugar onde você se acomoda. Nessa acomodação você vai se relacionar com objetos íntimos.
O arquiteto ressalta ainda que as duas composições são baratas e podem ser feitas usando e abusando de materiais recuperados, como os encontrados em brechós. O luxo é apenas uma sensação, salienta.
Soluções baratas
Móveis disponíveis no mercado como bares, mini-estantes, racks e poltronas podem ser o toque que faltava para um canto vazio. Também em lojas de decoração pode-se encontrar uma variedade de bases para vasos em materiais como mármore, madeira e metal.
Se nenhuma dessas peças combinam com a sua casa, outra opção é visitar uma loja de móveis usados. Além de diminuir custos, pode-se encontrar móveis e objetos de diversas épocas que estão super em moda. Um exemplo são as cristaleiras da vovó em madeira maciça. Escolha uma em bom estado de conservação e invista numa reciclagem. Mas atenção: a valorização que estas peças tem sofrido ultimamente contribui para o aumento dos preços. Nesse caso, é melhor negociar com o dono da loja.
Além das cristaleiras, podem ser encontradas mesinhas e poltronas com pé palito, tradicional acabamento dos anos 60 que está com tudo nos anos 90. Dando um pulo nos brechós e pondo a criatividade para funcionar, você pode compor um canto original, sem gastar muito. (D.B.)


