O procurador de Justiça Leonir Batisti, coordenador estadual do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), explica que as situações de conflito que demonstram um suposto despreparo por parte dos policiais militares muitas vezes são resultado de uma avaliação incorreta do mesmo sobre a situação. ''Ele tem uma fração de tempo para decidir e isso pode fazer com que avalie mal'', diz.
Por outro lado, o procurador lembra que existe também o confronto resultante de situações em que os cidadãos não estão dispostos a apenas conversar e acabam sendo agressivos. ''Os policiais são treinados para esse tipo de situação, mas, na hora de tomar a decisão, não têm todos os lados do problema e podem entender que a extensão é pior que a realidade'', considera.
Batisti entende que os policiais devem ser treinados inclusive para aceitar as provocações, porque às vezes trata-se apenas de um desabafo. ''A polícia só precisa interferir quando outras pessoas ou ela própria estiver em risco, o que eventualmente inclui o patrimônio da pessoa ou outros valores'', defende.
O erro de avaliação se transforma em abuso, segundo ele, quando ocorre o excesso. ''É o caso da pessoa desarmada que desafia o policial e ele tira o revólver e dá um tiro na pessoa. Obviamente é fora da proporcionalidade'', exemplifica Batisti.
O Ministério Público (MP), segundo ele, analisa reclamações de abuso por parte da polícia quando a explicação dada pelos envolvidos não é considerada satisfatória por uma das partes. ''O MP analisa o todo. Alguns atos não são adequados, mas estão no limite humano'', pondera.
Para o procurador, a solução está no melhor treinamento e conscientização dos policiais para que os conflitos passem a existir em menor grau. ''A polícia deve reafirmar que é da população e existe para manter a ordem, não para agredir pessoas.'' (C.A.)

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