'Melhor que coibir seria criar formas de controle'
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sábado, 14 de junho de 2014
Colaborou Carolina Avansini 
Para o médico Henrique Suplicy, professor de Endocrinologia do curso de Medicina da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), os derivados da anfetamina são drogas baratas, efetivas e com poucos efeitos colaterais, por isso ele defende a volta do uso, mas com restrições.
Suplicy foi um dos especialistas que participaram de audiência pública realizada no auditório da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) logo depois da divulgação da Nota Técnica do órgão recomendando a suspensão da fabricação e venda dos medicamentos inibidores de apetite, em fevereiro de 2011. Na ocasião, ele tentou fazer com que o órgão revertesse sua posição.
Para o endocrinologista, o problema estava na forma abusiva como as drogas vinham sendo utilizadas. "Acredito que muito melhor que proibir seria criar formas de controle, como acontece em outros países. A venda com restrições, feita só para quem realmente precisa, é a melhor opção", acredita. O médico argumenta que a retirada destes remédios do mercado prejudicou a população de baixa renda. "A obesidade vem aumentando de forma assustadora, tornou-se uma doença crônica, mas o governo não quer que sejam utilizados medicamentos para tratá-la, a exemplo de outras doenças."
Segundo o professor da UFPR, no caso dos obesos (pessoas com índice de massa corporal acima de 30) só as dietas e exercícios físicos não apresentam resultados duradouros. Ele argumenta que os efeitos nocivos à saúde apresentados pelos anfetamínicos são mínimos, se empregados na dose correta e com acompanhamento médico. "São drogas bem toleradas quando bem indicadas." Mais perigosa, na opinião de Suplicy, é a situação atual, em que estas drogas são vendidas no mercado negro e utilizadas sem controle. "Isso é muito sério", alerta.
Outro argumento do endocrinologista é que a disponibilidade de apenas duas drogas no mercado para efeitos de emagrecimento (sibutramina e orlistate), como acontece hoje, não é capaz de atender todos os casos em que o uso de remédios se faz necessário. "Nem todos os pacientes respondem bem a estes medicamentos, por isso é importante o paciente ter outras opções."
Argumentos semelhantes são utilizados pelo médico Desirê Callegari, primeiro secretário do Conselho Federal de Medicina (CFM). Segundo ele, a entidade sempre defendeu a oferta dos inibidores de apetite no mercado. "Não apresentam efeitos nocivos se houver controle na dispensação e se forem prescritos por médicos", opina. De acordo com Callegari, os medicamentos são necessários por serem coadjuvantes de baixo custo no tratamento da obesidade. "Além disso, quando a Anvisa retira do mercado, acaba incentivando o comércio paralelo", afirma.
O médico defende também uma fiscalização mais efetiva para evitar a prescrição desregrada dos inibidores por aqueles que chamou de "prescritores contumazes", ou seja, médicos que emitem receitas exageradamente, provavelmente incentivando um "mercado negro" de anfetaminas. "Os Conselhos Regionais de Medicina (CRMs) têm que trabalhar em parceria com a Anvisa para punir os maus prescritores", segere.
Callegari também pondera que, durante o período em que os medicamentos foram retirados das farmácias, houve aumento de casos de obesidade no País. "Sem remédios, os obesos acabam ficando mórbidos, o que gera indicação de cirurgia (bariátrica, para redução de estômago). Além disso, a obesidade pode levar a diabetes, hipertensão e enfarto, entre outras doenças graves."


