MEIO AMBIENTE - Paraná tenta conhecer suas florestas
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domingo, 30 de dezembro de 2012
Fábio Galão <br> Reportagem Local 
O Paraná tem apenas indicativos dispersos das florestas plantadas e nativas do seu território. Aprofundar esse conhecimento é o objetivo do Inventário das Florestas, que deve começar a ser desenvolvido a partir de fevereiro. O projeto é uma parceria do governo do Estado e do Serviço Florestal Brasileiro, órgão do governo federal, com apoio da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Embrapa Florestas e Museu Botânico de Curitiba.
Nas duas primeiras fases, serão coletadas informações em 312 amostras de florestas nas regiões Centro-Sul, Sudeste, Centro-Ocidental, Sudoeste, Centro-Oriental e região metropolitana de Curitiba. Depois, o inventário será feito nas outras regiões do Estado. A intenção é concluir o trabalho até o final de 2013, mas esse prazo pode ser dilatado conforme o ritmo das visitas às amostras.
Além de reunir dados quantitativos das florestas paranaenses, o inventário trará informações sobre as condições das espécies nesses locais. O trabalho terá dois eixos principais. O primeiro terá foco ambiental, nos remanescentes de florestas nativas, espécies com risco de extinção e áreas de preservação prioritárias. O segundo será econômico, relativo à cadeia produtiva das florestas plantadas de espécies exóticas, como pinus e eucalipto.
O presidente do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Luiz Tarcísio Mossato Pinto, afirma que nunca foi feito um levantamento tão detalhado no Estado, e que as informações coletadas servirão tanto para melhorar a proteção dos remanescentes de florestas nativas quanto para auxiliar o setor produtivo. ''Para melhorar e termos definições, precisamos ter informações aprofundadas'', justifica.
O Serviço Florestal Brasileiro busca parcerias junto aos Estados para criar um inventário nacional: outras unidades federativas, como Santa Catarina, Minas Gerais e Distrito Federal, já vinham implementando seus projetos.
Fernando Barros, engenheiro especialista na área ambiental, descreve o inventário como ''uma ação muito importante'' que pode representar uma melhoria na proteção de remanescentes. ''Para melhorar, precisamos conhecer o que existe, a riqueza desses fragmentos, sua fauna, sua biodiversidade. O inventário pode tornar essas áreas mais protegidas'', justifica.
Barros acredita que o mapeamento de matas em áreas privadas pode representar a criação de mais reservas particulares e de mecanismos de incentivo para a manutenção delas. ''Se não for feito um registro desses fragmentos, vão acabar se perdendo'', diz o engenheiro.
Quanto às áreas de preservação públicas, Barros aponta que o inventário pode estimular a adoção de práticas efetivas de proteção. ''Muitas das unidades de conservação municipais não têm plano de manejo. É preciso incentivar para que as prefeituras façam esses planos'', explica.
Carlos Mendes, diretor-executivo da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (Apre), afirma que a entidade vai ajudar no inventário fornecendo à Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab) os dados que possui.
''O inventário é importante porque o Paraná não tem uma estatística confiável do setor e para que seja possível fazer programas de desenvolvimento, no sentido de atrair empresas da cadeia produtiva da madeira'', explica o diretor.
Mendes aponta que estatísticas recentes do próprio Governo do Estado têm números divergentes: uma aponta que o Paraná teria 850 mil hectares de florestas plantadas; outra, que a área passaria de 1 milhão de hectares.
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