MEIAS VERDADES - Gilmar, o investigador de fofocas
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domingo, 07 de fevereiro de 2016
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
O paulistano Gilmar Lopes, de 41 anos, é analista de sistemas. Há 14 anos, porém, ele divide o tempo entre a profissão e a árdua tarefa de desmentir boatos da internet. Lopes é dono do site E-farsas.com, referência nacional no assunto. A página recebe cerca de 40 mil visitas diárias e, desde 2002, já fez cerca de 4 mil boatos caírem por terra.
O blogueiro conta que a caça aos boatos teve início em 2001, quando começou a receber as primeiras correntes por e-mail. "Eu repassava aquelas mensagem que pediam ajuda para crianças doentes, mas um dia parei para pensar se era realmente verdade", lembrou. A primeira atitude de Lopes foi ligar em uma das empresas citadas no e-mail, que pagaria um valor a cada reenvio. "Era um provedor de internet que nem existe mais. Eles me disseram que não tinham nenhum envolvimento e desconheciam o teor da mensagem", conta.
Após fazer o contato, avisou todos os amigos e pediu para que parassem de repassar aquelas correntes. Lopes nem imaginava o que viria a seguir. Tornou-se um investigador de boatos. "Os meus amigos começaram a desconfiar de algumas histórias que circulavam pela rede e me enviavam para eu ver se era verdade. Em pouco tempo, já tinha um grande acervo", brinca. No dia 1º de abril de 2002, o Dia da Mentira, Lopes resolveu entrar de vez no mundo da quebra de mitos e lançou o E-farsas.
Com a experiência adquirida, nenhum boato lhe escapa ao faro. Segundo Lopes, cerca de 90% dos boatos que circulam pela internet não escapam de dois filtros básicos: tom alarmista e sem data definida. "Quando o texto apresenta uma informação incrível e não menciona uma data precisa, algo como 'na semana passada', já é um sinal de que pode haver algo errado. É preciso saber há quanto tempo está circulando, o que é muito fácil pelas ferramentas de busca", detalha. "O tom alarmista também é outro sinal, como aquelas mensagem que dizem: 'Vocês não sabem o que eu descobri?'. Pode saber que é mentira", completa.
Em meio a várias notícias infundadas, rapidamente identificadas como boatos, Lopes encontra os casos mais capciosos e admite: "Já caí em pegadinhas da internet". "Era um vídeo em que um homem está enchendo um colchão de ar com a boca e o filho dele pula em cima. Com a explosão, o homem perdia a cabeça, literalmente. Era bem real, só depois descobri que se tratava de uma publicidade inglesa, que teve o final cortado."
Só depois de muita investigação, Lopes pode ficar aliviado pelo personagem do vídeo. "Existem mentiras realmente difíceis de serem detectadas, mas, na maioria dos casos, um simples pesquisa resolve. Então, antes de sair compartilhando, vamos dar uma conferida em sites de credibilidade. Não que eles estão totalmente livre de erros, mas a incidência é bem menor", compara.


