"Quem compartilha uma informação mentirosa como esta de que a vacina para rubéola é responsável pelos casos de microcefalia não tem ideia da gravidade do ato que está cometendo." A afirmação é da sanitarista e epidemiologista paranaense Cleide Oliveira. Atualmente, ela é coordenadora do Serviço de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado de Saúde do Paraná (Sesa-PR).
Há 32 anos no serviço público, ela conta ter enfrentado muitos boatos, mas que ultimamente os casos ficaram mais graves por conta da força das redes sociais. "Eu fico tão triste quando vejo alguém postando algo contra as vacinas, por exemplo. Levamos décadas para erradicar doenças imunopreveníveis graves como o sarampo, a coqueluche, a pólio. Em um clique a pessoa pode ajudar a acabar com tudo isso", lamenta.
Ela recordou da anticampanha surgida em 2009 contra a vacina para a gripe H1N1. "Criou-se um mito de que a vacina era um instrumento do governo para matar os idosos e, assim, reduzir as despesas com aposentadorias. Um absurdo sem tamanho, tanto que as maiores vítimas que morreram pela doença foram os idosos que não se imunizaram", expõe.
Cleide descartou qualquer ligação entre os casos de microcefalia, surgidos no Brasil no final do ano passado, com um suposto lote de vacina vencido que teria sido aplicado em gestantes no Nordeste. "Esta vacina não é destinada à gestantes. O público alvo não pode deixar de tomar as vacinas necessárias, senão corrermos o risco de que várias doenças possam se reintroduzir no País. É um preço muito alto a se pagar", destaca. (C.F.)

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