MEIAS VERDADES - Boatos aumentam sensação de insegurança
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domingo, 07 de fevereiro de 2016
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
Não bastasse a onda de violência que assolou Londrina no último fim de semana, os boatos que pululam em grande velocidade pelas redes sociais, principalmente nos celulares, elevaram a sensação de insegurança da população a nível de pânico geral. Os 11 homicídios - incluindo o do policial militar Cristiano Luiz Botino, de 34 anos - registrados entre a noite de sexta e a madrugada de sábado desencadearam uma rede de boataria na cidade.
Em meio a imagens reais de cadáveres das vítimas da violência em Londrina, pessoas mal intencionadas aproveitavam para espalhar fotos e vídeos de execuções antigas ocorridas em outras regiões do País. Uma das gravações mostrava um homem estirado no chão recebendo vários disparos de metralhadora na cabeça. A cena chocante foi assunto por vários dias, assim como o suposto helicóptero que teria caído na zona norte, ou ainda a comoção pelos três policiais que teriam morrido.
O resultado da soma de informações inverídicas que circularam pelas redes sociais foi percebido na noite do sábado. As ruas da cidade, praticamente desertas, eram a prova de que o "toque de recolher" gerado pela violência e, maximizado pelos boatos, havia sido instaurado. "Gente, evitem sair de casa porque o PCC já avisou que vai atirar pra matar em quem estiver na rua depois das 10 horas", alarmou um morador, referindo-se à principal facção criminosa do País.
Na falta de informações concretas por parte das autoridades, as especulações ganhavam tons de verdade. Sem uma confirmação oficial do nome das vítimas, até mesmo a cobertura jornalística foi prejudicada. A lista com a identidade dos mortos e feridos e ficha de antecedentes criminais só foi divulgada na última quarta-feira, cinco dias após os eventos. As autoridades ainda não têm suspeitos pelos crimes.
Para especialistas em Segurança Pública e Psicologia, a falta de informações oficiais é um terreno fértil para a propagação dos boatos. O coordenador do Centro de Estudos em Segurança Pública e Direitos Humanos da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Pedro Bodê, admite que o prazo de uma semana ainda é curto para que as autoridades tenham informações relevantes sobre as mortes, mas criticou a demora na divulgação de informações básicas. "Não se pode demorar quase uma semana para confirmar nome de mortos e feridos em um caso tão grave como esse. Em qualquer situação de ameaça a população tem que ser mantida informada. Em uma área tão sensível, o silêncio dá margem para a propagação do pânico", adverte.
Lídia Weber, doutora em Psicologia e professora da UFPR, aponta que a situação descrita é altamente propícia à disseminação de boatos. "Em cenários sociais mais instáveis e, na falta de informações oficiais, todos ficam mais vulneráveis a acreditar em boatos relacionados à situação", avalia.
Segundo ela, boatos aumentam em situações catastróficas e são utilizados em tempos de guerra ou em momentos políticos instáveis com uma função "maléfica", para fazer as pessoas ficarem mais vulneráveis, de criar medo, promover desordens. "O criador do boato sente-se gratificado ou tem algum benefício. Alguém anunciar que o preço da gasolina vai subir, por exemplo, pode fazer com que muitas pessoas dirijam-se a postos para abastecer. Assim, os postos vão vender mais", exemplifica.
A psicóloga explica que o boato tem origem na desinformação e a única maneira de neutralizá-lo é desmenti-lo o mais rápido possível. "O ideal é a verdade sempre, transparência sempre, em todas as relações. Em especial, os detentores de tal conhecimento devem sempre vir a público e esclarecer a situação, como no caso desses assassinatos", comenta.
A reportagem solicitou uma entrevista com um representante da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp) para comentar os impactos dos boatos e a real situação em Londrina, porém recebeu apenas uma nota da assessoria de imprensa informando que "os boatos envolvendo a atividade policial podem acabar por atrapalhar ou retardar as investigações". Ainda segundo a nota, a Sesp destaca que reforçou o policiamento em Londrina para intensificar o patrulhamento ostensivo e auxiliar nas investigações dos casos recentes de homicídio na cidade.
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