A versão do toque de recolher que determina o horário de fechamento dos estabelecimentos que vendem bebidas alcoólicas é repudiada pelos proprietários dos bares e casas noturnas. ‘‘Não há um consenso’’, defende Jones Feil, dono de um bar localizado na Rua Cruz Machado, em Curitiba. ‘‘Se tiver que fechar às 2 horas, é melhor nem abrir. O movimento nessa região é só a noite’’, justifica. O prejuízo é colocado pela maioria dos comerciantes entrevistados pela reportagem da Folha como o principal motivo para não atenderem a solicitação da prefeitura.
Acordo realizado entre as partes previa o fechamento dos bares da Cruz Machado às 2 horas e às 5 horas para as boates. Para Feil, que há quase dois anos administra um bar na região, o acordo é inviável. ‘‘Além do prejuízo, ia causar muito desemprego’’, comenta.
O garçon Amadeo Valdenir Delazuana, conhecido como Chico, trabalha há 34 anos na Rua Cruz Machado, e acredita que a violência não está ligada ao consumo de bebidas alcoólicas e sim a uma questão social mais ‘‘complicada’’. Se os bares fecharem, declara Chico, a criminalidade vai aumentar. ‘‘Muita gente aqui vai ficar desempregada e vai ter que optar pela vida do crime.’’
Em Colombo, onde o limite de funcionamento dos bares passou do acordo para obrigação, o comerciante Luiz Carlos Pacheco cumpre a lei contrariado e com dificuldades. ‘‘Se uma pessoa quer sair para brigar, vai beber em casa e brigar do mesmo jeito. Os bares fechados não vão impedir’’, revela. Ele comenta ainda que o movimento começa depois das 23 horas, quando a lei municipal determina o fechamento. ‘‘Fechar antes é prejuízo na certa.’’
Para o pintor autônomo Elivelto Luiz Rocha, a lei pode beneficiar os moradores, mas prejudica o lazer de quem só quer descontrair depois do trabalho. (K.M.)

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