'Mecânica do nosso corpo é preparada para o parto'
A jornalista e empresária Stella Meneghel, de 37 anos, não planejou ter filhos, mas quando eles vieram, fez de tudo para que eles nascessem sem a necessidade de cesariana. "Eu já tinha noção que o parto normal é o melhor para a mãe e o bebê. Mas aí fui me informar melhor e vi que, biologicamente, não tem comparação. A mecânica do nosso corpo é perfeita e preparada para isso", argumenta. Stella, que tem uma filha de 4 anos e um filho de 1,5 ano, conta que sua mãe teve quatro filhos, ambos de parto normal.
Assim que ficou grávida pela primeira vez, Stella passou a frequentar as reuniões do Gesta Londrina Grupo de Apoio à Gestante a ao Parto Ativo, o que deu lhe confiança para acreditar que seria capaz de ter sua filha de forma natural. "Sempre fui muito tranquila e sempre me preparei para que tivesse um parto tranquilo. Sabia que ia sentir dor, mas sabia também que a intensidade dela do quanto estamos preparadas. Quanto maior o medo, maior a dor", argumenta a empresária, lembrando que a cesárea não livra a mulher das dores. "Só que em vez de sentir dor por algumas horas apenas, vai sentir durante dias, e o que é pior: com o filho no colo."
Stella ressalta que o parto cesáreo não é algo ruim, mas que não pode tornar-se rotina, como vem acontecendo. "A vontade da mulher deve ser respeitada. Hoje em dia são criados muitos medos nas mulheres para induzi-las à cesariana. O parto deve ser um momento de serenidade. O que se vê no dia a dia dos hospitais é uma violência. Isso é muito sério", alerta.
Para Stella, as mulheres precisam tomar consciência de sua capacidade de colocar um filho no mundo, e a rede de saúde precisa estar preparada para isso. "A imensa maioria das mulheres tem condições para isso. Tenho amigas na Europa que tiveram filhos e nem se cogitou fazer uma cesárea. Uma delas ficou mais de 20 horas em trabalho de parto. Essa é a melhor opção, a que oferece menos riscos. Achar que optar pela cesárea é melhor para o filho é um engano."
A artista Andréa Pimenta, 36 anos, mãe de Alice e Heitor, de 3 anos e de 7 meses, respectivamente, conta que desejava ter os filhos por parto normal mesmo antes de engravidar. Quando a primeira gestação se confirmou, passou a procurar profissionais que pudessem assisti-la e a respaldasse em sua intenção. "Não foi fácil. Tive, inclusive, que mudar de médico."
Sua primeira filha nasceu na água, inaugurando a banheira de parto do Hospital Evangélico. Apesar do sucesso do parto, porém, Andréa optou por ter o segundo filho em casa. Uma equipe de enfermeiras especializadas veio de Maringá para assisti-la, além do médico. "Eu tive que me instruir, me informar muito dos riscos. Sabia que se meu corpo desse qualquer sinal de que não daria conta, seria induzida à cesárea, e precisava estar segura", afirma.
Andréa defende a importância de a mulher fazer um pré-natal, se exercitar, não enxergar gravidez como doença, continuar levando uma vida normal. A equipe médica, por sua vez, deve estar preparada e sensibilizada para respeitar o desejo da mulher. "A natureza é sábia, é o bebê que deve dar os sinais de quando está pronto para nascer. Acho muito preocupante os partos agendados." (S.L.)





