Mãe de um adolescente de 15 anos que está cumprindo a terceira medida socioeducativa por roubo, uma auxiliar de cozinha que não quis se identificar teme que o filho jamais "se endireite". Ela tem outros três meninos de 17, 13 e 10 anos – que nunca se envolveram em delitos - e mora com o marido em um barraco nos fundos do conjunto União da Vitória. Está atualmente desempregada, por isso, a família vive dos bicos que o companheiro eventualmente realiza. A falta de dinheiro, porém, não justifica para a mãe os delitos do filho. "Nossa vida é apertada, mas a gente se vira", afirma.


Antes de cometer o primeiro furto, o filho da auxiliar havia sido encaminhado para atendimento no Conselho Tutelar. "Eu estava trabalhando, não tinha como levar e ele não ia sozinho", lamenta. Em seguida, o rapaz abandonou a escola e, sem ter outras ocupações, praticou o primeiro furto. A mãe relata que o adolescente consome maconha. "Fico bem preocupada, mas nunca ofereceram tratamento para ele. Acho que ele mudaria de vida se pudesse fazer alguma atividade interessante", afirma ela, que não acredita que o adolescente iria pensar melhor antes de cometer os delitos se a maioridade penal fosse antecipada para 16 anos.
A mãe acha, também, que o filho furta porque não tem condições de comprar alguns produtos que gostaria de possuir. "Mas isso não é certo. Queria muito que ele recebesse tratamento, tivesse objetivos na vida, conseguisse trabalho e voltasse a estudar. Tenho muita preocupação, mas me sinto de mãos atadas, não sei mais o que fazer", desabafa. (C.A.)

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