MAUS HÁBITOS 'É preciso mudar rotina de toda a família'
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domingo, 10 de fevereiro de 2013
Carolina Avansini <br> Reportagem Local 
Vítimas de uma doença crônica que em algum momento da vida vai cobrar seu preço, as crianças obesas correm mais riscos de desenvolverem, na idade adulta ou mesmo nos primeiros anos, hipertensão arterial, dislipdemia (taxas alteradas de colesterol e triglicerides) e diabetes tipo 2. ''As placas de gordura começam a se formar nas artérias a partir dos 10 anos de idade. Desta forma, aumenta o risco de infarto e AVC (Acidente Vascular Cerebral) em idades precoces'', alerta a endocrinologista pediátrica Mariana Xavier da Silva, docente do departamento de endocrinologia pediátrica da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Ela alerta também que a obesidade aumenta o risco de incidência de alguns tipos de câncer, como mama, intestino, estômago e próstata. Nas meninas, predispõe ao desenvolvimento da puberdade precoce. Além do erro alimentar e do sedentarismo, ansiedade e estresse são outras causas do problema. ''A fonte de escape para a ansiedade acaba sendo comer em excesso'', destaca.
A oferta de fast-food, salgadinhos, biscoitos doces e refrigerante em excesso não é o único ''pecado'' cometido pelos adultos na alimentação das crianças. Muitos pais erram, também, ao optar por produtos não saudáveis ''disfarçados'' de comida nutritiva. É o caso dos biscoitos ''integrais'' cheios de sódio e gordura; dos sucos à base de soja ou néctares de fruta com excesso de açúcar; e os produtos lácteos extremamente gordurosos e açucarados.
Outro equívoco diz respeito à quantidade de alimentos oferecidos. Crianças de famílias com menos condições financeiras, por exemplo, muitas vezes almoçam três vezes por dia: nos projetos sociais, em casa e na hora da merenda da escola. ''A obesidade é bem mais frequente que a desnutrição. O governo precisa entender que o perfil epidemiológico mudou'', defende Mariana.
A especialista afirma que a obesidade infantil é uma doença ''das mais desafiantes''. ''Não existe solução mágica, é preciso mudar os hábitos de toda a família'', enfatiza.
No dia a dia, algumas dicas práticas ajudam quem quer combater ou prevenir a obesidade. Uma atitude fundamental é planejar as refeições, elaborando e seguindo um cardápio semanal para evitar os constantes apelos ao disque-pizza, lanches e fast-foods.
Ao invés da tradicional compra do mês que enche a despensa de alimentos que acabam sendo consumidos mais rápido que o necessário, a médica ensina a visitar o supermercado com o cardápio em mãos uma vez por semana. ''Além de diminuir a oferta de alimentos na casa, ainda garante a disponibilidade de frutas, legumes e verduras frescas.''
A salada deve ser guardada lavada, pronta para ser usada em todas as refeições. Mais eficiente que guardar as frutas na fruteira é deixá-las picadas em potes com tampa na geladeira, prontas para o rápido consumo das crianças. Carnes assadas ou cozidas substituem com mais saúde as versões fritas. Comer com a TV desligada é outra regra de ouro.
''Não custa desligar a televisão por vinte minutos para que todos se concentrem na refeição. Quem come na frente da TV não se dá conta da quantidade de alimento que está ingerindo'', alerta.
Outro cuidado diz respeito às concessões. Segundo a médica, não adianta comer direito de segunda a quinta-feira e ingerir todas as ''porcarias'' possíveis de sexta a domingo. ''Os eventos sociais devem ser programados, não dá para liberar tudo no final de semana. O ideal é permitir uma exceção em uma das refeições da semana'', ensina.
Nos primeiros meses de vida, o aleitamento materno é um importante fator de proteção contra a obesidade. ''De preferência, deve ser exclusivo até o sexto mês e mantido até o segundo ano de vida, se for vontade da mãe e da criança'', explica. Criança que mama no peito da mãe, segundo a especialista, corre menor risco de desenvolver doenças cardiovasculares e comorbidades da obesidade.


