O professor de marketing Roberto Harry Kanter, da ISAE/FGV, explica que o esquema de pirâmides financeiras é uma prática ilegal que não deve ser confundida com sistemas de venda por marketing pessoal ou marketing de rede.
O marketing pessoal, segundo ele, é bastante utilizado por marcas de cosméticos que comercializam no sistema ''porta a porta'. Neste caso, as pessoas fazem as vendas individualmente e o ganho é exclusivo sobre o que está sendo vendido. ''Existe um organograma funcional para ordenar as vendas, mas o gerente local é apenas gestor'', detalha.
Já o marketing de rede é baseado na criação de núcleos próprios de pessoas que, além de consumirem ao máximo os produtos da empresa, também recrutam novas pessoas para formarem redes próprias vinculadas às suas redes. ''Quanto mais forte a rede de consumo, maiores serão os ganhos'', diz, citando como exemplo a norte-americana Amway, que movimentou mais de US$ 5 bilhões no ano passado nos Estados Unidos. ''O negócio é baseado no consumo'', esclarece.
As duas modalidades não têm nada a ver com as pirâmides, que só funcionam enquanto há adesões de novas pessoas. ''Quem está em cima sempre ganha, mas a base pode perder se novos integrantes não entram. A renda é prometida sobre algo que não existe'', analisa.
Kanter reforça que a prática é ''totalmente ilegal'' e não tem qualquer relação com estratégias de marketing. ''Pirâmide financeira é estelionato'', resume.(C.A.)

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