Marco da ocupação espanhola
Embora seja citada como uma redução jesuítica, Ciudad Real não era apenas um núcleo habitacional construído por padres jesuítas para catequizar índios.
A vila foi fundada em 1556 pelo capitão espanhol Ruiz Dias de Melgarejo, o Cabeça de Vaca, nas primeiras incursões espanholas para conquistar e colonizar a região.
Segundo o padre e historiador paraguaio Bartolomeu Millan, a cidade foi construída num ponto estratégico, onde havia a aldeia guarani do chefe Guahyrá.
Do alto do morro, é possível observar o horizonte, até longa distância, em todas as direções, o que era crucial para evitar ataques de surpresa.
Durante a guerra do Paraguai, no século 18, o exército brasileiro montou trincheiras nas ruínas.
Ao todo, os espanhóis construíram 12 reduções e duas vilas ao longo do Rio Paraná. Segundo Bartolomeu Millan, Ciudad Real foi tomada e destruída em 1631 por bandeirantes paulistas, que invadiram a região para expulsar os espanhóis e escravizar os índios. Os moradores da vila teriam fugido sem levar praticamente nada.
Temos muita coisa enterrada aqui, acrescenta o arqueológo Igor Chymz, da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Toda a região em torno da Ciudad Real é um imenso sítio arqueológico, explica.
Na região, viviam entre dois mil e três mil índios guaranis. Os moradores de Terra Roxa já encontraram muitas peças de cerâmica indígenas.
Durante a construção da sede da Associação Náutica na margem do Rio Paraná, os operários encontraram seis urnas, potes de cerâmica onde os índios enterravam seus mortos.
A localização das urnas é mantida em sigilo para evitar depredações. As ruínas e os objetos nos ajudarão a descobrir como viviam os índios antes da chegada dos brancos, as mudanças provocadas pelos europeus e o que aconteceu depois, esclarece o arqueólogo. (V.M.)





