Marcha pró-golpe tardou mas não falhou
A tensão permaneceu nos dias seguintes em Londrina. Na quinta-feira, dia 2, o policiamento seguiu reforçado em vários pontos da cidade. O aeroporto foi fechado novamente à tarde, após ter seu funcionamento liberado por algumas horas. Policiais foram deslocados para proteger sedes de sindicatos, que estariam sob "ameaça de quebra-quebra".
Em um dos momentos mais tumultuados daquela semana, manifestantes retiraram o luminoso da sucursal de Londrina do jornal Última Hora, que apoiava Jango (veja texto na página 14). No fim do dia, a direção nacional do periódico baixou ordem para que a unidade londrinense fosse fechada.
Na sexta-feira, dia 3, a polícia fechou as sedes de cinco sindicatos suspeitos de "propaganda subversiva": dos Bancários, dos Metalúrgicos, dos Oficiais Marceneiros, da Construção Civil e dos Empregados no Comércio.
O advogado, empresário e ex-senador Francisco Leite Chaves era funcionário do Banco do Brasil e havia saído da presidência do Sindicato dos Bancários pouco antes do fechamento. Ele cita que o novo governo prontamente pressionou os sindicatos por estes serem considerados simpáticos a Jango.
"Eles (a polícia) foram atrás de documentos, ver se achavam alguma coisa. Por sorte, todo cheque que eu assinei na época de sindicato tinha escrito no verso qual era a finalidade. Por exemplo: se era para comprar vassoura, eu escrevia no verso. Senão, poderiam ter inventado alguma coisa e me comprometido", diz Leite Chaves.
No mesmo dia, a polícia apreendeu na casa de um líder sindicalista cartas, jornais, selos, flâmulas, livros e outros objetos que fariam referência ao comunismo, como uma moeda com efígie de Luís Carlos Prestes.
Por fim, no sábado, dia 4, foi realizada a marcha que deveria ter acontecido dois dias antes. A diferença fundamental era que o que havia sido planejado para ser uma manifestação contra o Governo Federal tinha se transformado numa saudação ao golpe.
A marcha partiu do reservatório da Avenida Higienópolis com a Rua Tupi, passou pela Avenida Paraná e terminou no antigo Largo da Prefeitura, na Rua Santa Catarina. A movimentação foi encerrada com um comício de duas horas, em que representantes da prefeitura, Câmara, entidades de classe e igrejas cristãs fizeram ataques a Jango e aliados.
Já na semana seguinte, para deixar claro de que lado estava a elite política de Londrina, os vereadores aprovaram voto de congratulações a governadores que apoiaram o golpe e aos militares. (F.G.)





