Em Curitiba, a Marcha da Maconha é um movimento que mobiliza, desde 2007, pessoas favoráveis à regulação do uso da substância. Depois de polêmicas que terminaram em uma decisão judicial garantindo o direito à manifestação, eles realizam o movimento legalmente desde 2011. A última edição, realizada em 25 de maio, levou 1,5 mil manifestantes às ruas.
Conforme um dos porta-vozes da Marcha, o estudante James Kava, o movimento tem postura antiproibicionista, ou seja, defende que o controle do estado sobre as drogas é mais eficiente que a repressão. "É incontestável que a maconha tenha benefícios medicinais, mas é mal vista por causa do receio sobre o uso recreativo", diz.
O proibicionismo, segundo ele, acaba gerando a violência provocada pelo comércio ilegal da droga, que vitima principalmente a população jovem da periferia. "O objetivo é combater este problema, visto que o consumo já existe. Com a regulação, fica para a medicina o trabalho de pesquisar outras questões, como possíveis danos à saúde", diz ele, lembrando que a Marcha defende a regulação para consumo adulto.
Um estudante de Agronomia que preferiu não se identificar relatou à reportagem que faz uso frequente de maconha. Defensor da regulação, ele acha que a decisão que vai permitir o plantio é uma questão de tempo e, por isso, pensa inclusive em investir no cultivo da planta. "Será bom para os usuários, que saberão a procedência do produto", diz.
Ele defende o estabelecimento de critérios rígidos para regulamentar o cultivo. "Com a legalização, a pesquisa deve avançar, trazendo oportunidades. É mais um produto para o agronegócio", afirma. O único temor é que a produção seja centralizada nas mãos de grandes corporações, impedindo o acesso de pequenos produtores. "O monopólio já ocorre com a produção do tabaco, onde poucos ganham muito", critica. (C.A)

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