O presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), Gabriel Jorge Samaha (PPS), o Gabão, prefeito de Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba), considera que o peso maior da administração pública na vida econômica de uma cidade depende das ''características de desenvolvimento'' de cada região.
''Existem municípios com maior potencial industrial, para o setor primário ou para os serviços, que têm mais possibilidades. Nas cidades com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), o poder público muitas vezes é o maior empregador, a referência em educação e saúde, absorve o comércio e os serviços locais'', explica. ''A maior parte dos municípios paranaenses é de pequeno porte, e nesses locais o poder público é importante na sustentação econômica. Em municípios como Londrina e Maringá, ele supre mais serviços básicos. Embora tenha importância, não é um dos eixos da economia'', completa Gabão.
O presidente da AMP vê de perto essa realidade. A cidade em que é prefeito, Piraquara, tem uma economia que depende muito da administração pública. O setor era responsável por 27,5% do PIB local em 2009. Gabão salienta que o município sofre restrições de investimentos por ser área de mananciais.
Gabão argumenta que a melhor forma de tornar esses municípios menos dependentes da administração pública é trabalhar as potencialidades de outros setores econômicos, através de cooperativas, agroindústrias e criação de micropolos de desenvolvimento. ''Mas isso depende de uma conjunção de fatores, envolvendo governos Estadual e Federal e a iniciativa privada'', justifica.
O economista Cid Cordeiro reforça que as prioridades para esses municípios são políticas de atração de investimentos com o objetivo de diversificar a economia, além de incentivar o crescimento do valor adicionado na indústria e nos serviços, principalmente. ''Os municípios pequenos têm menos possibilidades para fazer isso, por falta de recursos, de infraestrutura. Um início pode ser adicionar valor sem que isso exija grandes investimentos. Dois exemplos são a agroindústria e a indústria do vestuário'', diz o economista.
O prefeito de Jataizinho, Vilsinho Quirino, explica que uma forma que o poder público encontrou para incentivar a economia local foi a divulgação das licitações da prefeitura entre comerciantes e fornecedores da cidade. ''Empresários de Jataizinho vencem com frequência concorrências para fornecimento de peças, material de expediente, secos e molhados e o dinheiro fica dentro da cidade'', diz ele.
Adair José Gomes, proprietário de uma loja local de autopeças, diz que participa de licitações da prefeitura há três anos. O estabelecimento também é muito procurado por servidores públicos de Jataizinho. ''A maioria dos funcionários da prefeitura é cliente nosso'', explica Gomes. O comerciante estima que as licitações da Prefeitura de Jataizinho e as vendas para funcionários públicos representem até 15% do movimento na loja. (F.G.)

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