Mão de obra feminina
PUBLICAÇÃO
domingo, 20 de janeiro de 2013
Micaela Orikasa <br> Reportagem Local 
Apesar dos dados mais recentes do IBGE mostrarem que as mulheres permanecem mais presentes em cargos tipicamente femininos, ligados à educação e aos cuidados pessoais, algumas já se ''arriscam'' em atividades consideradas do universo masculino. Há quase dois anos, Fernanda Camargo de Souza, de 31 anos, trabalha como coveira no Cemitério Padre Anchieta, na zona leste de Londrina. ''Faço desde orçamentos até aberturas de túmulos para retirada de ossos'', diz a funcionária da Administração dos Cemitérios e Serviços Funenários de Londrina (Acesf).
Fernanda faz uma média de dois sepultamentos por dia e afirma despertar a curiosidade de todos que passam pelo cemitério. ''Ao mesmo tempo em que as pessoas estranham o que faço, elas acabam achando legal e me enchendo de perguntas. Mas também há aquelas que não acreditam que eu sou coveira até o momento em que eu coloco a mão na massa'', brinca.
Realmente, no início, Fernanda teve que mostrar serviço. Segundo ela, é comum acharem que a mulher não faz o trabalho de coveiro com perfeição. ''Muito pelo contrário, a mulher é mais detalhista e tem mais jeito para lidar com as pessoas, principalmente em um momento de tristeza'', defende.
Orgulhosa da profissão, Fernanda lembra da disputa pela vaga na Acesf e a naturalidade com que a notícia foi recebida pela família. Sorridente, afirma que adora o que faz e que conseguiu comprar uma casa própria, ''graças ao trabalho no cemitério''.
E ao contrário da maioria, Fernanda não acha estranho ter o registro de coveira na Carteira de Trabalho. ''É mais um espaço no mercado que pode ser ocupado pelas mulheres. Sou a prova de que hoje não existe mais profissão de homem que a mulher não possa fazer. Por enquanto, ainda sou minoria, mas acharia bem legal se tivesse mais coveiras na cidade. Imagine, todos os muros do cemitério pintados de rosa?'', brinca Fernanda, ao revelar que em Londrina apenas três mulheres são coveiras.


