Ao contrário dos estudantes idealistas da década de 90, o movimento que pede o impeachment da presidente Dilma Rousseff é formada principalmente por pessoas já adultas e que se alinham com valores mais conservadores. Em Londrina, o profissional de seguros Douglas Roberto Soares Filho, 35, é um dos participantes do movimento "Marcha Londrina", que pede a saída da presidente.
A militância política de Soares Filho, porém, começou no movimento estudantil em meados da década de 90, pouco depois do impeachment de Collor. "Eu era entusiasta da ideia de que as pessoas devem se politizar", conta.
Hoje, entretanto, considera que foi "doutrinado pela esquerda" que, segundo ele, age desta forma com os jovens desde a mais tenra idade. Crítico de discussões como as que envolvem incluir questões de gênero no Plano Nacional de Educação (PNE), por exemplo, ele afirma que "todas as pessoas são de esquerda até que se libertam."
A motivação para participar das passeatas que pedem o impeachment de Dilma são as atuais condições sociais enfrentadas pelos brasileiros. "Estamos cansados de ver que o exemplo não vem de cima", critica, referindo-se a ações do governo federal. As passeatas, segundo ele, pedem justiça, moralidade, respeito e paz. "É um grito de socorro da população que não aguenta mais conviver com tarifas altas, o preço da gasolina. Este governo está no poder há 12 anos e não fez o que devia", acusa.
Apesar de defender o impeachment, ele admite que a situação ideal da política brasileira não é apenas tirar a presidente, mas a moralização da política que pode trazer um presidente firme e de moral ilibada. "Os que se apresentam hoje não são confiáveis", opina. Ativo no movimento, ele acredita, entretanto, que será difícil provocar o impeachment, principalmente porque o Congresso atual não tem "legitimidade e força" para isso. "A Dilma só vai sair se houver um movimento popular, mas não há um alinhamento midiático que provoque isso", completa.
A protética Nalu Cristina Fachin tem participado individualmente das manifestações que pedem o impeachment de Dilma em Londrina. "Me incomodo com a corrupção, com o desvio de dinheiro. O Brasil é um país rico e poderia ser autônomo, nosso agronegócio é excelente e temos um grande mercado interno. Porém, enfrentamos a desigualdade social", lamenta.
Para ela, a classe média é a mais penalizada pelo governo atual. "Os mais ricos desviam dinheiro e os mais pobres recebem bolsas. A classe média trabalha para sustentar todo mundo", acredita. Outro problema apontado por Nalu é a aceitação da "cultura da corrupção". "Participo das manifestações porque quero que acabe a desgovernança. Precisamos de melhorias em educação, saúde e segurança", pede ela, que acredita também no poder da mobilização. "Em grupo, podemos provocar mudanças."
A protética defende também o voto nulo como forma de expressar a insatisfação com a política no Brasil. "O voto também é uma voz, pois os políticos precisam dele para se elegerem. Se não votamos, eles vão ficar preocupados", afirma. (C.A.)

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