'Mania' se espalha pela cidade e envolve famílias inteiras
Mania se espalha pela cidade
e envolve famílias inteiras
Marcos NegriniMaria Cristina, com o filho, Janaílson, 8 anos, e o irmão dela, Fernando, 13, fazendo tapetes de crochêA mania do crochê em Goioerê pode ser bem percebida na casa de Maria Cristina Correia da Silva, 25 anos. Ela começou a confeccionar tapetes há dois anos e hoje já espalhou o serviço para toda a vizinhança. Mais: conseguiu atrair o trabalho até do irmão, Fernando, 13 anos, e do filho, Janaílson, de apenas 8 anos. Eles ficavam vendo eu fazer os tapetes e acabaram se interessando e gostando, conta Maria Cristina, que confeciona cerca de 80 tapetes por quinzena.
É uma ajuda boa para pagar as contas no fim do mês, diz. O filho dela, Janaílson, jura que gostou de fazer crochê e só compara o prazer de crochetear com o de jogar bola com os colegas. Ele faz cerca de dois tapetes por dia. Não faço mais porque tenho que ir para a escola, justifica. O irmão de Maria Cristina, Fernando, chega a confeccionar 10 tapetes por dia. No começo foi difícil aprender, mas hoje não tem erro.
Segundo a diretora da Escola do Trabalho, Neusa Cavalcante de Oliveira, que faz o controle de qualidade dos tapetes, vários homens ajudam as mulheres na confecção dos tapetes de crochê, mas eles não costumam aparecer. Apenas a mulher se mantém cadastrada no programa e só ela vai até o local para pegar o barbante ou levar o tapete pronto. A cada remessa, a Escola do Trabalho recebe mil quilos de barbante, que são devorados em menos de duas horas.
A dona de casa Irani Pereira de Paula, 54 anos, é uma das vizinhas que aprenderam a fazer os tapetes de crochê com Maria Cristina. Ela começou a confecção há cerca de cinco meses e hoje confecciona, em média, seis tapetes por dia. Ela acha que o R$ 1,00 pago pelo par de tapetes é pouco, mas gosta do fato de trabalhar em casa. Antes eu trabalhava fora e tinha que cumprir horário. Hoje, com a minha idade, também não conseguiria mais emprego, conforta-se. (S.S.)





