Cinquenta anos depois que a febre dos drive-in se alastrou entre os americanos, os jovens brasileiros estão encostando seus carros em postos de gasolina. Em Curitiba, centenas deles saem todas as noites para se divertir com amigos no pátio destes estabelecimentos. Eles buscam, na maioria das vezes, uma companhia e uma maneira ‘‘de jogar conversa fora’’, sem o real objetivo de paquera.
Do alto-falante dos carros (quase todos novísssimos e em cores fortes como o vermelho) escuta-se a ‘‘material girl’’ Madonna. A cantora é deusa absoluta num reduto onde as meninas não são coadjuvantes. Elas tomam conta da conversa tanto quanto os homens e são despachadas o suficiente para irem sozinhas ao encontro da rapaziada.
A febre que fez personagens como Peggy Sue aparecerem para o mundo imortalizada no cinema, já não exibe o mesmo glamour. As jovens de 2001 não têm a mesma aflição, a mesma ingenuidade. Elas estão satisfeitas, têm liberdade. A repressão que vinha de dentro de casa já não existe mais e uma madrugada jogada fora na rua é apenas mais uma.
‘‘A gente vem aqui todos os dias. Preferimos ficar no posto do que em barzinho. A gente se diverte. Tá todo mundo aqui. Não tem essa de paquera, eu venho para conversar e se não tem ninguém para vir comigo, venho sozinha mesmo’’, diz Bruna Rosa, 21 anos, estudante de direito que acompanha a mesma turma há dois anos.
Já os rapazes que passam noites bebericando e escutando música vão em busca de diversão e fazem dos postos de gasolina uma base para irem a festas. ‘‘Quando não tem nada, a gente fica no posto, bebe uma cervejinha, um refrigerante e passa a noite falando bobagem. Isto quando a polícia não esparrama a galera’’, reclama Bruno Gazzola, 23 anos, proprietário de uma loja de informática.
Vestido com roupas camufladas, pronto para seguir adiante e ir a uma festa à fantasia, ele alega que, como a moda pegou, alguns jovens vêm fazer baderna em frente ao posto e isto tem feito com que as batidas policiais sejam frequentes.
Entre os muitos adolescentes e jovens que procuram os locais da moda para passar o tempo, há aqueles que ainda não se encontraram na vida. Usando um colchão como roupa para acompanhar o amigo, Felipe Zimmermann, 22 anos, se diz um Vasp (Vagubandos Anônimos Sustentados Pelos Pais) sem a mínima culpa. ‘‘Estamos aqui curtindo a vida, às vezes passamos à noite jogando ioiô. Aqui não tem essa de droga não. É curtição ao natural.’’

mockup