'MALUCOS DE ESTRADA' - Arte motiva vida nômade
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domingo, 30 de dezembro de 2012
Carolina Avansini <br> REportagem Local 
A vontade de se expressar artisticamente também incentiva muita gente a adotar o estilo de vida nômade. O artista circense Carlos Sole, de 44 anos, descobriu o circo enquanto trabalhava na produção de festas de música eletrônica pelo mundo. Antes disso, viveu sua primeira experiência de ''maluco de estrada'', quando, com uma namorada da faculdade, abandonou o curso para morar em uma comunidade hippie na Bahia. ''Eu trabalhava como garçom e fazia mandalas'', conta ele, que depois se mudou para Alto Paraíso, na Chapada dos Veadeiros, em Goiás, para viver na comunidade alternativa Oficina de Ciências e Artes (OCA).
Mas foi nas viagens para trabalhar em festas ''rave'' que ele começou a aprender técnicas de circo e se apaixonou. Entre andanças por Brasil, Europa e África, ele se aprimorou e, ainda na Europa, onde viveu por três anos, criou o primeiro número de malabarismo com facas para apresentar na rua. ''Na Europa, os artistas de rua são recebidos com honra'', compara.
A primeira experiência despertou a vontade de continuar no mundo do circo. De volta ao Brasil, ele montou espetáculos de rua alusivos à promoção da paz no trânsito. ''Vi que dava certo e comecei a me especializar'', recorda. O espírito de ''maluco de estrada'', entretanto, o colocou mais uma vez em mudança. ''O que apaixona os viajantes é chegar a um lugar totalmente diferente do que já vimos. A busca do novo sempre me rejuvenesce'', empolga-se Sole, que, em Ribeirão Preto (SP), começou a dar aulas de circo para crianças e adolescentes e se apaixonou por um novo ofício, o de professor.
E foi entre inúmeras experiências em lugares novos, com atividades novas, cercado de novas pessoas, que ele conheceu a Escola de Circo de Londrina, onde, há três anos, faz especialização em didática pedagógica de circo. A formatura será no ano que vem, quando termina também o prazo para permanecer na cidade. ''Depois de três ou quatro anos o lugar acaba virando rotina, me dá vontade de mudar'', diz.
Por enquanto, o plano de Sole é apresentar um projeto chamado ''Motorcircoeta Alegria'', para percorrer toda a costa brasileira de moto levando espetáculos circenses e oficinas de circo para populações caiçaras. Por ter essa vontade de interagir e contribuir com as comunidades por onde passa, o artista não se considera um legítimo ''maluco de estrada''. ''Meu propósito, a cada viagem, é levar a novidade, a alegria do circo a pessoas desconhecidas. Todo lugar tem algo a ensinar, e viajar é a única coisa que o dinheiro compra e você não vai perder nunca'', filosofa.
Independente
O teatrólogo José Indú, de 40 anos, adotou a vida nômade para praticar o teatro popular. ''A rua é o melhor público'', avalia ele, que atua sozinho vestido de um personagem que já foi ''rei dos mendigos'', mas, hoje, é nominado de acordo com a interpretação da plateia.
''Me considero um artista marginal, que atuo onde as leis de incentivo não alcançam'', diz ele, que também se apresenta como radical e polêmico. Apesar do espírito libertário, ele não se acha um ''maluco de estrada'' porque trabalha com planejamento e tenta cumprir uma agenda.
Serviço
Carlos Sole se apresenta nos semáforos do Centro de Londrina e atualmente pode ser assistido fazendo espetáculo de malabares vestido de Carlitos. Já a estátua viva José Indú está em turnê pelo Norte do Estado.


