Malária já adoece 20 índios no Estado
A malária, doença reemergente, é mais um fator de ameaça aos 10,5 mil índios que restaram no Paraná. Nos últimos três meses, a doença atingiu duas reservas no Oeste do Estado. Já infectou pelo menos 20 índios, que foram obrigados a mudar a rotina de pesca, plantio e outros trabalhos para ficar em repouso durante os dias de tratamento. Caso não for tratada, a doença pode matar.
O Estado tem 17 reservas regularizadas, em 23 municípios, que totalizam um território de 85,26 mil hectares. Tem ainda mais seis áreas em processo de regularização. Os remanescentes representam menos de 10% da população indígena original do Estado.
O foco mais grave de malária foi registrado na aldeia dos avá-guarani, em Santa Rosa do Ocoí, município de São Miguel do Iguaçu (43 quilômetros a nordeste de Foz do Iguaçu). A doença foi supostamente levada à comunidade por uma índia que teria sido infectada numa aldeia paraguaia, em Hernadárias (25 quilômetros distante da fronteira com Foz). Desde dezembro, foram anotados 19 casos na comunidade de São Miguel do Iguaçu.
O último registro ocorreu em 22 de janeiro, quando a malária atingiu Teodoro Alves, 33 anos, professor da escola avá-guarani. Alves precisou suspender a pesca e os trabalhos na lavoura enquanto tomava os comprimidos contra a doença. Durante 14 dias, fiquei a maior parte do tempo deitado. Comia pouco porque sentia muita febre e dores no corpo, principalmente na cabeça e no pescoço, lembra o professor.
Casado e pai de três crianças, Teodordo recorda que já tinha sido contaminado em 1986, ano do então surto mais recente. Mesmo assim, demorou cinco dias para buscar auxílio médico prestado pelo governo. Pensei que era gripe, porque os sintomas são parecidos, explica, frisando que, na época do repouso, o ano letivo não tinha começado. Agora, estou dando aula normalmente.
A índia Joanita Vilhava, 17 anos, e a filha Demétria, de um ano, também foram picadas pelo mosquito Anopheles darling (agente transmissor), durante o surto, já controlado pela Secretária Estadual de Saúde. Ela disse que o bebê foi contaminado primeiro, mas dias depois, foi picada pelo inseto. Até meu sogro, de 83 anos, ficou doente, completa, feliz por todos estarem fora de perigo.
O caso mais recente de malária no Paraná, o vigésimo, entretanto, foi registrado na reserva Tekohá, também da etnia avá-guarani, em Diamante dOeste. A Secretária Estadual de Saúde não sabe como a moléstia foi levada à aldeia, onde residem 130 índios. O governo iniciou a borrifição nas ocas no começo da semana passada, prática apontada como mais eficaz de combate ao mosquito. Não existe vacina contra a malária.





