Mães se tornam ativistas políticas
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sábado, 04 de agosto de 2012
Carolina Avansini <br> Reportagem Local 
Em busca da garantia do direito ao atendimento humanizado das gestantes pelos sistemas de saúde público e privado, um grupo de mães londrinenses transformou a maternidade em ativismo político. Organizadas no Grupo de Apoio à Gestante e ao Parto Ativo - Gesta Londrina, elas deram um passo maior e, há um mês, fundaram o Instituto Crias, uma organização não governamental que tem o objetivo de promover a cidadania, os direitos e a saúde das mulheres e suas famílias. Integrantes da ONG, inclusive, participam como delegadas no Conselho Municipal da Mulher.
As duas entidades realizam hoje, às 15h30, a Marcha pela Humanização do Parto, que ocorre simultaneamente em mais de vinte municípios brasileiros. Os manifestantes se concentram na avenida Higienópolis, em frente ao número 1.400, para depois realizar uma caminhada pelo Lago Igapó. De acordo com Marília Mercer, coordenadora do Gesta e integrante do Crias, a manifestação visa esclarecer sobre os direitos das gestantes em relação às escolhas de parto e, principalmente, sobre o parto humanizado.
A mobilização é justificada pelo alto índice de cesáreas no Brasil. De acordo com Marília, enquanto a ONU preconiza um índice máximo de 15% de cirurgias, dados do DataSUS indicam que mais da metade de todos os nascimentos ocorrem por via cirúrgica no Brasil. ''Durante o pré-natal, a maioria das mulheres não é realmente esclarecida sobre os riscos de cada procedimento do parto'', enfatiza.
Ativismo
Mãe de três crianças de 13, 4 e quase dois anos, Marília revela que as experiências proporcionadas pela maternidade foram fundamentais para despertar o lado ativista. ''Tive algumas intervenções desnecessárias no meu segundo parto e, depois, um parto humanizado no nascimento da minha filha mais nova. Não achava justo que as mulheres passassem pelo que passei na segunda experiência. Para tentar mudar a realidade, precisei me engajar politicamente'', explica.
Além do atendimento humanizado, a licença-maternidade, o incentivo à amamentação e o acesso à saúde estão entre outras demandas que as mães querem ver respeitadas. Para elas, estes itens, até então vistos como ''favores'', devem ser tratados como direitos fundamentais.
Os dilemas das mães trabalhadoras estão na pauta de discussões. Para Marília, a estabilidade de apenas três meses após a licença-maternidade abre espaço para demissões injustas e colabora para reforçar a ideia de que o afastamento do trabalho para cuidar dos filhos recém-nascidos coloca o emprego e a carreira em risco. ''As mulheres que trabalham acabam se rendendo a imposições por medo de serem substituídas'', destaca.
Para as ativistas, um período de estabilidade de pelo menos um ano, como acontece em muitos países, permitiria que as mães voltassem ao trabalho e reatassem os vínculos profissionais com tranquilidade. ''Falta consideração pelas mães, que acabam excluídas de alguns processos por esta condição'', critica.


