A pressão dos grandes magazines, que exigem dos fornecedores brasileiros preços similares aos praticados por fabricantes asiáticos, acabou obrigando o empresário Admir Nabhan, diretor da Beeight, em Cianorte, a recorrer ao mercado externo para baixar os preços e atender esse segmento.
Desde o início do ano, ele compra tecidos fabricados na Ásia, que passam por um processo de lavagem, na indústria, para garantir a qualidade. Os importados já representam 20% da matéria-prima utilizada e, mesmo com o investimento em tecnologia para lavagem, o custo final do produto caiu 14%.
Como fabrica apenas jeans, Nabhan também optou por adquirir do exterior camisas, camisetas e blusas já prontas - que antes eram terceirizadas a facções nacionais - para completar as coleções. ''O problema é que os grandes magazines querem moda com preço de China e a briga é grande'', comenta, lembrando que também importa acessórios e materiais de acabamento. ''Nesse caso, os importados custam metade do preço.''
A estratégia preocupa o industrial que, mensalmente, fabrica 150 mil peças em jeans. ''Precisa ter gente para consumir essa produção. Se o governo protege a indústria nacional, geramos empregos e garantimos o consumo'', avalia.
No Grupo Morena Rosa (GMR Participações S.A.), que engloba as marcas Morena Rosa, Zinco, Maria Valentina e Joy, a estratégia foi apostar em coleções exclusivas para garantir a preferência dos consumidores. ''Oferecemos produtos diferenciados e investimos em marketing para fortalecer as marcas e manter a competitividade. Também estamos investindo em lojas-conceito'', explica o presidente Marco Antônio Franzato.
O relativo conforto no mercado não exclui, no entanto, a possibilidade de recorrer à importação. Segundo Franzato, algumas empresas da Ásia já oferecem produtos de boa qualidade. ''Não descarto a possibilidade de produzir fora do País para enfrentar a concorrência desleal'', avalia.
Atualmente, 30% da matéria-prima utilizada pelo grupo é produzida com exclusividade para as marcas no exterior. ''Contratamos empresas terceirizadas que desenvolvem o produto no Brasil e produzem fora do País. No futuro, é possível que assumamos essa produção no exterior'', antecipa. Segundo ele, os produtos importados chegam a custar 30% menos que os similares nacionais.
O GRM lança seis coleções por ano, planejadas com até oito meses de antecedência. ''Pela agilidade, é muito mais fácil fazer no Brasil'', opina Franzato, que reúne parque industrial com 19 unidades fabris e produção de 250 mil peças por mês.
Na área de criação, a ameaça asiática também ronda a cabeça dos estilistas e designers que precisam criar produtos atraentes para o consumidor. ''Apostamos em tecidos, acabamentos e estampas exclusivas. Os produtos chineses ainda são básicos, sem muita informação'', explicam os estilistas Bruno Delfino e Kelly Veloso, do GRM Participações.

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