MADE IN CHINA - Concorrência asiática provoca desindustrialização
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sábado, 15 de outubro de 2011
Carolina Avansini <br> Reportagem Local 
O pacote de medidas ''Brasil Maior'', lançado pelo Governo Federal em agosto para desonerar setores de confecções, calçados, móveis e softwares - sensíveis ao câmbio e à concorrência internacional -, pode não evitar a desindustrialização. Pressionadas pelo mercado, que exige preços compatíveis com os de países como China e outros asiáticos, empresas nacionais estão optando pela compra de matérias-primas importadas e até mesmo produtos prontos que são apenas etiquetados com marcas brasileiras para se manterem competitivos.
A realidade já faz parte do polo industrial de Cianorte (Noroeste), especializado em confecções. Na região, a ''ameaça asiática'' obriga indústrias a importarem parte do tecido e impõe investimentos em tecnologia para garantir a qualidade. Outra prática é a compra de peças chinesas prontas.
Em Arapongas (Norte), a concorrência da Ásia não ameaça o polo moveleiro, que teme, entretanto, a forte oscilação do dólar e do maior custo determinado também por altas taxas tributárias, juros altos e relações trabalhistas desfavoráveis. Em menor escala, industriais já começam a importar componentes como dobradiças e puxadores.
A queda da competitividade dos produtos industrializados paranaenses frente aos importados fica evidente nas estatísticas de importação e exportação por ''grau de elaboração''. Dados da Federação das Indústrias Paranaenses (Fiep) indicam que, se em 2006 a venda de produtos manufaturados representou 57,41% das exportações, em 2010 caiu para 43,18%. Os produtos básicos (matérias-primas), ao contrário, passaram de 29,30% para 42,21% no mesmo período.
''A indústria paranaense sente, há anos, a dificuldade de competir com importados, principalmente asiáticos'', avalia Roberto Zurcher, economista da Fiep. Segundo ele, a presença do Brasil nos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China e África do Sul) garante a tendência de crescimento econômico, justificada pelo tamanho da população, pela oferta de matérias-primas e aumento do consumo interno impulsionado pela melhoria de renda. ''Poderia ser mais rápido se houvesse desenvolvimento industrial.''
Na opinião do analista, iniciativas como o aumento do Imposto sobre Produtos Importados (IPI) sobre veículos que tenham menos de 65% de componentes nacional ou que sejam produzidos no Mercosul são importantes para proteger a indústria nacional da concorrência asiática e deveriam ser estendidas para outros setores. ''Demorou demais para ter uma medida de proteção'', comenta.
Segundo Zurcher, a indústria automotiva enfrentou forte deficit na balança comercial de janeiro a julho de 2011. Apenas no Paraná, o setor de ''materiais de transporte'' apresentou deficit de US$ 1 bilhão no período. Outros setores, como mecânica e eletroeletrônicos, também tiveram saldo negativo de cerca de US$ 1 bilhão no período.
Zurcher avalia que a carga tributária diferenciada poderia equilibrar a concorrência. ''A maior parte dos países controla o comércio internacional por meio de impostos de importação e exportação, protegendo produtos que podem agregar valor e são necessários ao consumo interno, através de medidas como a taxação de exportações de matérias-primas; e taxação da importação para igualar preços dos produtos de fora e evitar concorrência desleal.''


