Londrina já registrou uma dezena de ocorrências desde 1983
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domingo, 31 de janeiro de 2016
Vítor Ogawa<br> Reportagem Local 
Tremores de terra acontecem de forma regular em Londrina há muito tempo. Além dos mais recentes, foram registrados abalos na área urbana de Londrina em 1983, 1991, 1994, 1995, 2000, 2006, 2009, 2010, 2011 e 2012. O geólogo e professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL) José Paulo Pinese ressalta que grande parte desses tremores é decorrente de reflexos de sismos andinos de magnitude elevada.
Um dos tremores aconteceu em junho de 1991 e o antigo morador de um edifício localizado na Rua Mato Grosso, Plínio Petrucci, foi testemunha desse fenômeno. "É difícil descrever o que a gente sentiu. Foi um susto muito grande. Estávamos eu, minha esposa e meu filho quando o sofá praticamente saiu debaixo da gente, indo para a frente e para trás. Foram alguns segundos, não chegou a meio minuto", relembra.
Petrucci diz não ter ideia da intensidade do tremor na escala Richter, mas conta que seu apartamento não sofreu danos como fissuras ou rachaduras tais como as registradas no Jardim Califórnia. "Algumas pessoas saíram do prédio e todos ficaram só naquela conversa de questionar o que havia acontecido, mas não foi nada mais do que isso. Nunca mais senti abalo nenhum depois daquilo", afirma.
Os tremores de 1991 foram sentidos no Paraná, em São Paulo e no Rio Grande do Sul. Eles são reflexo de dois sismos registrados em Santiago del Estero, no norte da Argentina, que chegou a 6 graus na escala Richter.
Petrucci se diz surpreso com esses abalos mais recentes registrados na região. "São tantas reclamações e em áreas diferentes da cidade. Os abalos de agora não são localizados como os de 1991. Eu já ouvi gente que sentiu esses tremores de um lado da cidade e gente que sentiu no outro extremo. Ouvi relatos de pessoas do Alphaville que fizeram uma casa enorme e elas ficaram com rachaduras", destaca.
No dia 1º de janeiro de 2011, por volta das 7h56 , um outro sismo de 4,8 teve seu epicentro na Argentina e foi refletido nos maiores prédios de Londrina e de outras cidades como São Paulo (capital), Maringá, Campinas (SP), Passo Fundo (RS), São Borja (RS), São José dos Pinhais (PR), Indaiatuba (SP) e Apucarana PR). Na época, a moradora da Gleba Palhano Márcia Oliveira relatou ao Grupo Folha que sentiu tremores de terra por duas vezes seguidas. "Moro em apartamento, estava deitada, e senti nitidamente o tremor, algo bem rápido", destacou.
Pinese afirma que os eventos atuais têm mais relação com um fenômeno que aconteceu em Londrina a partir da década de 90 na Vila Nova. "Na época se aventou a possibilidade dos tremores terem sido provocados por explosões em uma pedreira, mas nada foi confirmado porque Londrina não possui sismógrafos. Aliás, ainda hoje não possui o equipamento. Os que estão sendo utilizados hoje são da USP. Quando a UEL teve a oportunidade de comprar algum, não tinha dinheiro para custear a contrapartida", lamenta. (Vítor Ogawa/Reportagem Local)


