LIMITES E DIREITOS - Protestos de rua entram em debate
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domingo, 26 de janeiro de 2014
Lúcio Flávio Moura e Marian Trigueiros<br> Reportagem Local 
O ano de 2014 promete ser de muitos protestos e manifestações no País. A exemplo do que ocorreu em junho de 2013, quando centenas de milhares de pessoas foram às ruas com uma pauta difusa de reivindicações, simbolizada especialmente pelas tarifas do transporte coletivo e marcada por protestos violentos em várias capitais, os brasileiros voltam a debater qual é a forma mais correta de se fazer ouvir.
Em Londrina, a tensão já está instalada e a temporada promete. Há três semanas, membros do Comitê Passe Livre (CPL) realizam manifestações na cidade contra o aumento de 35 centavos na tarifa do transporte público, ocorrido no dia 1º de janeiro. Só um preâmbulo do que deve acontecer a partir do início do ano letivo. O comitê promete radicalizar até que a onda de protestos consiga revogar o reajuste.
O que parece certo é que a efervescência das ruas não vai arrefecer, com indícios que irá se aprofundar. O primeiro indutor da agitação deve ser o início da Copa do Mundo em junho, maior evento do planeta que lida com uma enorme rejeição popular.
A pergunta que dá espaço à polêmica é quem são esses manifestantes e o que eles querem? A FOLHA ouviu manifestantes, polícia, pesquisadores e população para tentar explicar este momento histórico. De um lado, uma nova geração de militantes - incluindo a ala mais radical - e a população cansada dos serviços públicos deficientes em todos os setores. De outro, as forças de segurança e a outra parte da população que se opõe à agitação por não tolerar atos de depredação de bens públicos e particulares.
Onde fica a fronteira entre o direito civil de uma minoria em busca de visibilidade para seduzir a opinião pública com os conceitos de ordem, bem-estar e segurança? Talvez seja esta a pergunta que brasileiros e londrinenses se depararão ao longo desta temporada.
Principal plataforma de comunicação e difusão de ideias dos manifestantes, as redes sociais se tornaram tribunas eloquentes do assunto, de onde se propaga a insatisfação, onde se afina o discurso muitas vezes radical e onde a mobilização ganha corpo.
O "Primeiro grande ato contra a Copa", organizado por grupos como os Anonymous, foi marcado em algumas cidades para ser realizado ontem. A definição do evento "Não vai ter Copa" diz que "ou somos coniventes ou somos combatentes quanto à Copa do Mundo no Brasil. Ou nos opomos às remoções forçadas, à violação de direitos humanos e civis, à criação de projetos de leis que impõem uma mordaça na população, ao desvio de capital, ao superfaturamento de obras (...); ou colaboramos com o financiamento de tudo isso, garantindo o lucro bilionário da Fifa e de seus patrocinadores."
Um projeto de lei (PL 728/11), de autoria dos senadores Marcelo Crivella (PRB/RJ), Ana Amélia (PP/RS) e Walter Pinheiro (PT/BA), em tramitação e cuja votação está sendo apressada no Congresso, prevê limitações ao direito à greve, além de considerar atos de manifestações, sob determinadas circunstâncias, terrorismo, sob pena que vai de 15 a 30 anos de prisão. O texto define um pacote duro de punições às manifestações políticas violentas para garantir a segurança do Mundial.


