Composto em sua maioria por jovens universitários que se dizem cansados da exploração do transporte público pelas empresas, o Comitê Passe Livre (CPL), em Londrina, defende a revogação imediata do aumento da tarifa do transporte coletivo, passe livre para todos os estudantes e desempregados e estatização do transporte coletivo. Logo após uma reunião com o prefeito Alexandre Kireeff, na qual expuseram as reivindicações na última quinta-feira, alguns deles conversaram com a reportagem da FOLHA para explicar os motivos e a posição do movimento que, de acordo com eles, vai continuar nas ruas.
Segundo os membros do CPL, a metodologia utilizada para a planilha de custos, que resulta no valor da tarifa, é antiga e possui uma série de elementos contestáveis. "Acompanhamos há anos as planilhas e esta é feita pelas empresas; falta transparência. A prefeitura não possui uma equipe técnica para fiscalizar o que colocam no relatório", afirma um dos integrantes. Por isso, pedem abertura nas contas das empresas e, assim, terem ainda mais subsídios para convencer a população. "A indignação é que vai levar as pessoas às ruas."
Por isso, apostam que uma das formas de convencimento é indo às ruas e gritando, literalmente, o abuso sofrido pelos trabalhadores. "Nossos protestos mostram que o caminho para mudança são as manifestações. Se não acreditássemos nessa mudança, não sairíamos às ruas." Esses protestos, no entanto, não estão previstos em um calendário, mas discutidos e aprovados em reuniões a cada semana, para que, segundo os membros, sejam realizados de forma organizada.
Questionados sobre ações mais violentas e de vandalismo de alguns mascarados, ao mesmo tempo em que acusam a imprensa local de exibi-la como parte principal dos protestos, estimulando a criminalização dos movimentos, afirmam veemente que não há como controlar a situação e o estado de ânimo dos participantes. "Acreditamos que, se estão na luta conosco, são nossos irmãos. Não planejamos a violência, mas não vamos dizer que a maneira deles atuarem não é uma forma de expressão legítima. Não temos a pretensão de coibir as ações dos mascarados; a radicalidade também é importante", reiteram.
Os mascarados, conforme um dos integrantes, não fariam parte do comitê, mas de grupos isolados. "São, em geral, jovens excluídos, com subemprego, poucas perspectivas, cuja violência faz parte de seu cotidiano. Grande parte não tem consciência política, mas possuem a mesma indignação que a gente", diz um deles. Para tanto, não os consideram como inimigos, ainda que a população em geral acredite que isso possa desmoralizar a imagem do grupo. "As empresas é que são os inimigos. Vandalismo é o que estão fazendo com o trabalhador."

Redes sociais

Entre vários depoimentos em eventos e páginas das redes sociais, é possível encontrar alguns acalorados e que apoiam uma postura mais radical. "Burrice é ficar em casa assistindo aos políticos destruírem o país, comerem os seus impostos e tripudiarem em cima da nossa miséria. O que é uma vidraça de banco, quando o seguro paga tudo de volta?", dizia uma moça. Em outro, um jovem afirma que "essa ideia de revolução com pétalas é 'dahora' até certo ponto."
Dissidentes do movimento local atacam ainda com depoimentos do tipo: "Que comitê é esse que se recusa fazer um 'catracaço'? Se o quebra-quebra não é legítimo, me respondam: por que ninguém em sã consciência ataca uma viatura do Samu? Simples: porque a viatura do Samu serve a população. Já o ônibus serve apenas ao interesse de uma minoria de empresários que decidiram negociar nosso direito social".

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