O deputado federal Assis do Couto tem insistido em uma tese que liga o fechamento da Estrada do Colono em 1986, quando a justiça acatou recomendação do Ministério Público Federal, a um episódio sangrento dos chamados Anos de Chumbo.

Dez anos antes, seis integrantes da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) – cinco brasileiros e um argentino – foram mortos em ação do Exército dentro do Parque Nacional do Iguaçu e seus corpos foram enterrados em um ponto 50 metros mata adentro, de acordo com relatos colhidos pela Comissão Nacional da Verdade.

Os restos mortais dos militantes ainda não foram encontrados e as buscas estão paralisadas. "Na minha opinião, um dos elementos que levou ao fechamento desta estrada foi este trágico acontecimento ocorrido no regime militar", afirma Couto. "É uma motivação pouco explorada, pouco discutida, pouco estudada", avalia.

A ligação improvável, de acordo com os ambientalistas ouvidos pela FOLHA, é sustentada pelo parlamentar com base no documento chamado Plano de Manejo do Parque Nacional do Iguaçu que, segundo ele, foi elaborado nos gabinetes militares, alguns anos depois do massacre, para legitimar o fechamento da estrada e dificultar uma eventual investigação no governo civil. "Eles sabiam que a abertura política iria acontecer mais cedo ou mais tarde e por isso elaboraram este documento, que é o único que pediu de forma clara o fechamento da estrada", diz. O Plano de Manejo foi aprovado em 1981, cinco anos depois do crime e quatro anos antes da redemocratização do País.

Couto afirma que já há indicativos para se fazer as escavações e que elas ainda não foram concluídas por "falta de sensibilidade dos gestores do parque, que não permitiram a abertura de uma picada para se chegar ao local. Desta maneira, só é possível chegar naquele ponto de helicóptero".
O deputado informou que a responsabilidade das buscas é da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos. As operações devem ser retomadas este ano.

O WWF-Brasil não considera a hipótese de fechamento da estrada por pressão dos militares. Para a ONG, não há relação documentada entre um fato e outro. "Se aconteceram crimes na época da ditadura em trechos da estrada, isso obviamente deve ser investigado. Não há, porém, conexão direta deste fato histórico com a proposta de reabertura da Estrada do Colono", afirmou Aldem. (L.F.M.)

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