De acordo com o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Capanema, Luiz Hartmann, Capanema tem um plano de desenvolvimento do turismo que só poderia decolar com a abertura da estrada-parque. "Aproveitaríamos tanto as potencialidades do rio Iguaçu quanto do parque nacional. A estrada seria nosso cartão-postal para alavancar o número de visitantes e nos colocar no mapa turístico", explica. "Hoje os acessos para cá dos turistas que vão à Tríplice Fronteira é muito difícil. Até para Foz do Iguaçu seria um bom negócio porque seria um motivo a mais para uma permanência maior no destino", avalia.
A prefeita Lindamir Denardin (PSDB) diz que o programa de desenvolvimento turístico já está pronto, mas que por questões de logística ainda é muito difícil atrair investidores. "O município não pode perder o desenvolvimento por causa do meio ambiente. Não temos como avançar. Logo aqui, onde sempre agimos como guardiões do parque", garante.
O deputado federal Assis do Couto também aposta no seu projeto para levar para o Sudoeste parte do movimento turístico que fica circunscrito a Foz do Iguaçu. "A estrada será uma alavanca econômica muito importante através do ecoturismo. Vamos ser inteligentes como são os argentinos, que mantêm o seu caminho fronteiriço por dentro do parque nacional e por onde passam muitos turistas, inclusive muitos brasileiros que passam do lado argentino para acessar as Cataratas. Não podemos perder esta oportunidade", defende.
O engenheiro agrônomo Valter José Steffen, o Polaco, de 56 anos, atual vice-prefeito e prefeito entre 1997 e 2004, antes um radical defensor da abertura a qualquer custo, o que lhe rendeu a fama de líder em protestos nos períodos mais tensos da batalha judicial, suavizou o discurso. "Com uma estrada-parque bem feita, dentro dos padrões de sustentabilidade, as pessoas cuidariam do parque com muito mais amor. A população não suporta mais o confronto. Há 10 anos, eu achava que era impossível a reabertura, hoje não acho mais. A defesa do meio ambiente está mais madura. Dá para conciliar preservação e geração de renda".
O estudioso da WWF Brasil, Aldem Bourscheit, rebate e lembra que há outras formas de desenvolver o ecoturismo na face sudoeste da reserva. "É claro que hoje o turismo está mais concentrado em Foz do Iguaçu, por causa das Cataratas, mas o Plano do Manejo, que é uma espécie de manual de uso do parque, prevê outros acessos aos turistas em outras áreas do parque. Isso pode ser desenvolvido, mas de maneira racional, equilibrada, sustentável", pondera.(L.F.M.)

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