Céu Azul A Cooperativa Agroindustrial Lar (Lar), com sede em Medianeira, equilibra o seu desempenho econômico e financeiro em dois setores, o dos alimentos, representado principalmente pelo frango, e dos cereais e insumos para produtores. E, de olho em nichos de mercado, sobretudo os que acenam com a possibilidade de melhores preços, está se preparando para exportar carne de frango cozida a partir de setembro.
Segundo Luiz Antonio Genevro, gerente da divisão de alimentos, na média, a tonelada FOB (no porto de origem) do peito cozido vale US$ 3,1 mil, frente ao atual US$ 1,7 mil do produto convencional, o que representa agregação de valor de 82,3%. Os principais mercados são a Alemanha, Inglaterra e França.
O presidente da Lar, Irineo da Costa Rodrigues, diz que neste ano a empresa deve movimentar R$ 609 milhões, superando em 27,67% os R$ 477 milhões de 2002, que, segundo ele, foi um período excepcional, devido principalmente ao câmbio valorizado. Com a moeda norte-americana em patamar menor, a empresa espera obter lucro de R$ 16,55 milhões, diante dos R$ 16,05 milhões líquidos anteriores. ''O aumento da receita bruta vai ocorrer porque estamos trabalhando com volumes maior de frango, hortigranjeiros e insumos. E, por sermos competitivos, estamos ocupando uma fatia maior de mercado'', avalia.
De acordo com Rodrigues, de 1996 para cá a cooperativa já investiu R$ 200 milhões, especialmente junto aos avicultores. Atualmente são 400 integrados que respondem pela manutenção do volume de abate de 140 mil aves por dia. A empresa exporta 80% do total para a Europa, Ásia, África do Sul, Rússia e está iniciando embarques para o Canadá. Ele lembra ainda que dos 2,8 mil funcionários da cooperativa, apenas 4% trabalham no setor administrativo. Os demais atuam junto aos 5,5 mil cooperados ou nas unidades industriais de frango, mandioca, de óleo bruto de soja, vegetais congelados, ração e empacotados.
A cooperativa expandiu a área de atuação para o Paraguai e para o Mato Grosso do Sul, regiões fronteiriças à empresa que antes se chamava Cooperativa Agropecuária Três Fronteiras (Cotrefal). ''Pela proximidade, temos cooperados paraguaios e também no Mato Grosso do Sul, que são regiões estratégicas para a produção e fornecimento de grãos para a cooperativa'', comenta.
O presidente da Lar informa ainda que, para preparar o frigorífico para o processamento de carne cozida, que fica em Matelândia, foram investidos R$ 20 milhões, por meio do Programa de Desenvolvimento Cooperativo para Agregação de Valor da Produção Agropecuária (Prodecoop) do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A inauguração da linha de cozidos será no dia 9 de setembro. ''Este é um projeto que permitirá agregar maior valor à carne e, assim, remunerar melhor a mão-de-obra e os cooperados'', diz Rodrigues.
O gerente Genevro acrescenta que o novo produto também servirá para a cooperativa fugir das barreiras tarifárias dos mercados europeus, já que, por enquanto, não há obstáculos para a entrada da carne cozida naqueles países. Segundo ele, a produção mensal será de 200 toneladas neste ano; 400 toneladas no primeiro trimeste de 2004; 600 toneladas, no segundo; até chegar à meta de 800 toneladas no terceiro trimestre.

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