Jataizinho, mais vítimas do que habitantes
Embora não tenha registrado grandes prejuízos este ano, Jataizinho (Região Metropolitana de Londrina) sofre com as chuvas fortes com frequência. Segundo o Sistema Informatizado de Defesa Civil do Paraná, nos últimos cinco anos ocorreram cinco fenômenos significativos no município, entre tempestades, alagamentos, enxurradas e inundações, que afetaram ao todo 13,2 mil pessoas. É mais do que a população total de Jataizinho, estimada hoje em 12,5 mil habitantes.
As comunidades que mais sofrem em dias de chuva intensa são as que ficam próximas dos rios Tibagi e Jataizinho. Em uma rua da Vila Frederico, que tem ao fundo o córrego Coqueiro e o Rio Jataizinho, as enchentes são comuns. "Quando chove, a gente já vai levantando o que dá para não perder", conta o desempregado Celso Aparecido Biolada, 44 anos, presidente da associação de bairro. Ele ainda tem nas paredes da casa rachaduras e manchas de meio metro de altura, provocadas pela água que invadiu a residência na enchente de junho de 2012.
A comunidade local cobra a limpeza ou a canalização do córrego e do rio, o alargamento da ponte sobre o Jataizinho e obras em microbacias, para a água ter para onde escorrer em dias de chuva forte.
Outra cobrança é a inclinação no asfalto da rua. Os moradores descrevem que cederam um terreno e a tubulação para a construção de uma galeria de águas pluviais, obra que já foi feita mas que não surtiu resultado, porque a água não tem como correr para as bocas de lobo. Por isso, mesmo em dias de chuva moderada, é comum a formação de grande poças. "Temos escritura, pagamos imposto em dia. Aqui não é invasão", diz Biolada.
Reinaldo Cícero Martins, secretário municipal de Serviços Urbanos, Obras e Viação e coordenador da Defesa Civil de Jataizinho, diz que a prefeitura presta assistência às vítimas quando ocorrem enchentes. Ele afirma que os transtornos se tornaram mais comuns na região desde a construção da Usina de Mauá, no Rio Tibagi, entre os municípios de Ortigueira e Telêmaco Borba.
A respeito de alguma política habitacional para deslocar os moradores das áreas sujeitas a enchentes, Martins alega que há "estudos", mas nada de concreto foi definido. Quanto a uma eventual dragagem do Rio Jataizinho, o secretário alega que a prefeitura não tem recursos para a obra. "Ficaria entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão", afirma. Quando à inclinação da rua na Vila Frederico, Martins aponta que a obra de recapeamento na via deve resolver o problema, e está prevista para ser realizada em outubro. (F.G.)





