Jardins modernos privilegiam a plástica
PUBLICAÇÃO
domingo, 22 de junho de 1997
Mariela de Castro Santos Curitiba 
O inverno, ao contrário do que possa parecer, não é estação para deixar o jardim hibernando. Apesar do vigor da primavera e dos dias cálidos já ter ido embora, a estação não significa total inatividade para as plantas. É nesta época que os paisagistas aproveitam para reformar, alterar ou acrescentar novas plantas aos jardins.
Três itens devem ser pensados quando se elabora um jardim: o volume e as formas (arbustos altos, baixos, arredondados, estreitos), a textura das folhas (opaca, brilhante, aveludada) e as cores (flores, diferentes tons de verde). A moda hoje não é um certo tipo de flor ou planta, mas sim o jardim como escultura, avalia o paisagista Mauro Tessler, de Curitiba. Em outras palavras, um jardim não deve ser jamais um amontoado de plantas ao acaso.
Se há uma ou duas décadas a grande moda nos jardins dos edifícios eram os cedrinhos de vários tamanhos, hoje a idéia é se fazer um jardim mais limpo, com menos plantas e maior efeito visual. Uma geometria mais ordenada, que privilegie a plástica. Para isso, valem arbustos que possam ser podados em formas arredondadas, quadradas ou até triangulares, no estilo Edward Mãos de Tesoura, e plantas cuja floração acontece em diferentes épocas do ano, garantindo uma colorido permanente.
O ideal é que um jardim combine plantas verdes, flores anuais (aquelas que apareçem uma vez por ano, e não necessitam ser replantadas) e flores sazonais. Estas dão mais trabalho, porque morrem depois da floração e precisam ser substituídas, o que exige a escolha de exemplares que floresçam em diferentes épocas do ano.
A tend~encia hoje é conjugar plantas baixas (o que eles chamam de forração, em geral flores de tons que combinem entre si) com arbustos e pequenas árvores cujo crescimento possa ser controlado através da poda. Entre os vegetais mais apropriados para pequenos espaços, estão árvores de pequeno e médio porte como a extremosa rosa, a cássia, o ipê amarelo ou roxo e o acer - árvores símbolo do Canadá, cuja folha até faz parte da bandeira daquele país.
Um novo conceito que também começa a entrar no universo dos jardineiros é o uso de árvores frutíferas. Na opinião de Tessler, esses exemplares conjugam um sentido mais amplo da natureza: verde, flor e fruto. Exemplo mais clássico é o visual branco-rosado das cerejeiras em flor no Japão.
Vale também colocar pedras e água no jardim. Essa combinação reproduz de maneira mais fiel a vegetação natural, mas os jardins domésticos costumam abolir esses itens pela dificuldade de elaboração.


