Japão adota sistema que reduz chances
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sábado, 08 de setembro de 2001
Luciano Augusto 
Os descendentes de japoneses que nascem fora do Japão têm reduzidas chances de conseguir a dupla cidadania. Isso porque o Japão segue o preceito do ''jus sólis'' solo de nascimento e não o preceito da consanguinidade, como os países europeus.
Até a 2 Guerra Mundial, os japoneses que viviam em solo estrangeiro como no Brasil, por exemplo, que tem a maior colônia japonesa do mundo mantinham o costume de, além de registrar o filho num cartório nacional, comunicar o nascimento ao Consulado Japonês. Assim, garantiam para o filho a possibilidade de obterem dois passaportes: um brasileiro e outro japonês, garantindo a dupla cidadania.
''Antes da Segunda Guerra, os imigrantes japoneses tinham o sonho de retornarem à sua terra natal, depois de fazerem a vida no Brasil'', recorda o empresário londrinense Kentaro Kitahara, 61 anos, que possui a dupla cidadania. Quando nasceu em 1940, seu pai tomou o cuidado de registrá-lo no Consulado Geral do Japão em Bauru, interior de São Paulo.
Kentaro conta que com a derrota e a rendição japonesa para os Aliados, o Japão viu sua economia ruir. Com o país afundado numa crise profunda, os imigrantes que mantinham o sonho de retornar mudaram de idéia e ninguém mais passou a registrar seus filhos nos consulados japoneses. ''Hoje não existe praticamente mais nenhuma forma de pedir a dupla cidadania e o processo de naturalização é muito rigoroso e demorado'', afirma o empresário.
Kentaro ressalta que quem possui as cidadanias brasileira e japonesa goza de alguns benefícios. Ele, que viaja com certa frequência ao Exterior, não necessita de visto para entrar nos Estados Unidos, beneficiando-se de um acordo diplomático entre os dois países. Também não encontrou dificuldades para abrir conta corrente num banco japonês.
Mesmo assim, Kentaro diz que se sente brasileiro. ''Nasci aqui e sou brasileiro. Servi o Exército Brasileiro e jurei defender essa pátria'', pontua.
Já o secretário-geral da Aliança Cultural Brasil/Japão do Paraná, Paulo Takushi Maeda, revela que muitos dekasseguis descendentes nascidos no Brasil que vão trabalhar no Japão - tentam obter a dupla cidadania mas poucos conseguem. ''Se o governo japonês facilitasse, a maioria gostaria de ter a dupla cidadania'', avalia Maeda, destacando que ainda são fortes as raízes que unem os imigrantes à Terra do Sol Nascente.


