Jacarezinho completa 100 anos e aposta o futuro no café
Lúcio Flávio Moura
Enviado a Jacarezinho
O café, responsável pelo desenvolvimento de Jacarezinho na primeira metade deste século, pode significar o começo da redenção econômica do município. Como em outras cidades do Norte Pioneiro, o plantio do café adensado está sendo incentivado com um programa municipal.
Prefeitura investe em soluções simples e criativas para garantir a recuperação econômica do município que ainda é um dos mais importantes do Norte do Paraná
Sofremos muito com a falta de atenção dos governos estaduais e federais durante anos. É por isso que acreditamos que temos que resolver nossos problemas com cautela e criatividade. Só assim deveremos resgatar a auto-estima da população. O importante não é fazer a cidade crescer e sim se desenvolver, com respeito às pessoas e aos seres humanos, analisa o prefeito Mário Clóvis Gaspar (PSDB), que diz se orgulhar muito de ser o prefeito do centenário.
Segundo Paulo Garcia, secretário de Desenvolvimento Econômico, o Município deverá distribuir somente este ano, a preços subsidiados, 800 mil mudas de café, produzidas em um viveiro onde trabalham adolescentes carentes. O milheiro custa R$ 40,00 no programa, enquanto o preço de mercado chega a R$ 160,00. Em poucos anos, a cafeicultura terá novamente lugar de destaque na nossa economia, aposta Garcia.
O cultivo da pupunha (já foram plantados 6 mil pés que estarão produzindo em 18 meses), vegetal de onde se extrai palmito in natura, e a criação de jacarés em cativeiro são outras alternativas para a diversificação da economia rural. São culturas promissoras e ambientalmente corretas, que geram receita a curto prazo, acredita o secretário.
A bacia leiteira também está em expansão e deverá ter um novo impulso com a implantação de uma cooperativa de produtores, que usará terreno da prefeitura em comodato para instalar um laticínio. Somente com a organização dos produtores, os preços para a comercialização subiram e a produção teve grande incremento, conta. Em dois anos, a produção de leite saltou de 8,5 mil litros para 13 mil litros por dia.
Vamos garantir mercado aqui mesmo em Jacarezinho, com uma campanha de incentivo ao consumo que será feita em escolas de 1º grau, diz Garcia, com entusiasmo. O que queremos é que a população, que permaneceu longe das decisões por muito tempo na cidade, passe a participar mais ativamente destes tipos de soluções, pondera o prefeito.
A terra arenosa da região, considerada uma das melhores do País para a produção de peças em cerâmica e extraída por indústrias de Ourinhos (cidade paulista vizinha), deve ser usada agora para abastecer duas novas unidades na cidade paranaense, que ainda estão em fase de negociação com a prefeitura. A fiscalização é ruim, por isso, quase não arrecadamos impostos. O que queremos é que os investidores tragam as indústrias para o lado de cá da divisa, eles vão gastar menos com transporte e terão as mesmas condições de competitividade, garante Garcia.
Sem condições de atrair grandes investimentos, Jacarezinho vem apostando na atração de pequenos e médios investimentos e na ampliação das plantas industriais já existentes. A política vem dando bons resultados. A cidade foi uma das que avançaram mais na arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviço (ICMS).
A arrecadação mensal passou de cerca de R$ 541 mil em janeiro de 1997 para R$ 871 mil em janeiro de 2000. Este resultado é reflexo de um trabalho informal que o Município vem fazendo para avalizar transações entre os pequenos empresários e os fornecedores e entre os empresários e os bancos, lembra o secretário.
Algumas empresas estão aproveitando a ótima localização do município servido por duas rodovias federais, a BR-369 e a BR-153 e próximo ao rico interior paulista para investir em empreendimentos de médio porte. Uma delas produzirá um insumo para a indústria farmacêutica, o BBA (Bílis bovina ácida). Extraído de órgãos dos bois, a substância será usada na fabricação de medicamentos antiácidos.





