Ivaiporã, a cidade que amarelou
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sábado, 04 de agosto de 2001
Luciano Augusto<BR>Enviado a Ivaiporã 
A cidade amarelou, comentam os moradores de Ivaiporã (130 km ao sul de Apucarana). A cor amarela tomou conta do município. O prédio da prefeitura é amarelo. O pátio municipal foi pintado de amarelo. A frota de veículos oficiais é amarela. Os táxis são amarelos. Os bancos e postes de iluminação da praça central são amarelos.
Os ônibus urbanos e os pontos de parada são amarelos. Muros das escolas e muitos estabelecimentos comerciais também são. Em breve, segundo um servidor público, até o uniforme do funcionalismo ganhará os tons dessa que é conhecida como a cor do sucesso, da riqueza, do ouro.
Fixação pela cor? Talvez, mas o fato é que a moda pegou depois que o atual prefeito, Pedro Wilson Papin (PTB), assumiu o cargo, em janeiro deste ano. A cor amarela foi usada por ele durante a campanha eleitoral, no ano passado. Papin, que encara o amarelão com naturalidade, afirma que a opção pela cor foi casual. As minhas cores particulares são o vermelho e o verde, confessa.
O amarelo com detalhes em preto, segundo ele, foi usado inicialmente no adesivo de campanha. Ninguém segura o amarelinho. Hoje o padrão é amarelo e assumimos essa cor para o município, diz.
A explicação do prefeito para o fato de ter usado a mesma cor que usou durante sua campanha é bastante simples. Papin exemplifica que quando assumiu o município, a situação dos prédios públicos e de 70% da frota de veículos oficiais estavam em estado lastimável. Como teve que recuperar grande parte do patrimônio público, aproveitou e pintou tudo de amarelo.
O prefeito, que já foi notícia no País por empregar parentes, conta que a prefeitura estava em péssimo estado de conservação. O prédio foi remodelado e tingido com a cor da prosperidade. A Câmara, que funcionava numa casa de madeira em frente à sede do Executivo, também estava por cair, aponta Papin. Além disso, era totalmente infestada por pombos, que chegavam a defecar nos vereadores e no público que acompanhavam as sessões. A praça central era outro ponto abandonado. O local foi recuperado, recebeu novos bancos e postes de iluminação. Tudo amarelo. A biblioteca, que ficava num pequeno prédio em frente à prefeitura, foi transferida para um local maior. Obviamente pintado de amarelo. Os três ônibus que começaram a circular gratuitamente há uma semana também são todos amarelinhos.
Questionamentos sobre o assunto surgiram quando foi assinado o decreto que estabeleceu a padronização da cor dos táxis nº 4.640/2001 , em 12 de junho desse ano. Diante da iniciativa do prefeito Papin de regulamentar o serviço de táxi na cidade, estipulando a cor amarelo solar como obrigatória para esse tipo de transporte, os vereadores de oposição apenas dois dos nove vereadores que compõem o Legislativo protestaram.
O vereador Luiz Carlos de Oliveira (PSL), o Luizão, diz que o decreto foi uma desculpa do prefeito quando ele foi questionado sobre o tema na Justiça, há cerca de 60 dias, por ocasião de um mandado de segurança impetrado pela oposição. Oliveira aponta ainda que o prefeito estaria pressionando os taxistas que não se enquadraram no decreto. Ele anda dizendo aos taxistas que se eles não pintarem (os carros) vão perder o alvará.


