O Paraná possui oito regiões metropolitanas instituídas por lei: Curitiba, Londrina, Maringá, Umuarama, Toledo, Campo Mourão, Cascavel e Apucarana. Juntas, elas somam 193 municípios, quase metade do total do Estado (399). Apesar do esforço para agrupar cidades em aglomerados regionais, muitos desses municípios sofrem com o isolamento. Especialmente os mais distantes têm pouca ou nenhuma integração de serviços com os respectivos polos.
Na Região Metropolitana de Curitiba, a mais antiga RM paranaense (estabelecida por lei federal complementar em 1973), o município de Doutor Ulysses, no Vale do Ribeira, é o mais afastado da cidade polo: fica a 133 km da Capital. É mais distante de Curitiba do que Ponta Grossa (114 km) e Paranaguá (90 km), municípios paranaenses importantes que não fazem parte da RMC, e do que Joinville (129 km), a maior cidade catarinense. O segundo município metropolitano mais afastado do polo é Adrianópolis, também localizado no Vale do Ribeira e que está a 131 km da capital paranaense.
Doutor Ulysses, apesar de estar na região metropolitana mais rica e desenvolvida do Paraná, aparece sempre na lista dos piores Índices de Desenvolvimento Humano (IDHs) do Estado. André Luís Simões, secretário de Planejamento da prefeitura, diz que "não existe" integração de nenhum serviço com a capital.
"A gente tem o problema, além da distância, de haver um trecho de terra na estrada, entre Cerro Azul e Doutor Ulysses. É algo que dificulta o contato com o município, principalmente na questão de serviços", descreve. "Já houve conversas para melhorar isso. Alguns fóruns procuraram debater, promover uma integração maior, não só entre os municípios do Vale do Ribeira. A gente vê frutos, avanços, mas nada muito concreto. Pertencemos à RMC, mas apenas no papel."
Esse isolamento impede até mesmo que Doutor Ulysses seja município dormitório do polo, como é característico das regiões metropolitanas. Segundo Simões, um ônibus sai pela manhã da cidade com destino a Curitiba e retorna no fim do dia. Entretanto, o deslocamento entre os dois municípios demora mais de três horas. "Quem quiser trabalhar em Curitiba tem que morar mais perto. Daqui não tem como conciliar", diz o secretário.
Pedro Nogueira, secretário geral da Prefeitura de Bom Sucesso, diz que não entende por que o município, de 6,9 mil habitantes, faz parte desde 2010 da Região Metropolitana de Maringá. É a cidade mais afastada da RMM – está a 61 km da Cidade Canção. "Para nós, pouco resolve (integrar a Região Metropolitana de Maringá), porque tudo aqui é ligado mais a Londrina e Apucarana", justifica.
Segundo o secretário, os encaminhamentos de saúde são feitos por meio do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Vale do Ivaí e Região (Cisvir), sediado em Apucarana, e atendimentos de maior complexidade geralmente são prestados em Londrina. O aeroporto londrinense também é mais utilizado do que o maringaense, explica Nogueira.
"Não temos nenhum serviço ligado a Maringá. Não sabemos por que Bom Sucesso faz parte da RMM. De repente, o deputado que fez o projeto (de lei) decidiu incorporar (o município). Não temos nem ônibus circular para Maringá. Ele chega até Itambé (outro município da RMM) e de lá volta", relata o secretário.
Amarildo Ribeiro Novato (PDT), prefeito de Altônia, a cidade mais afastada da Região Metropolitana de Umuarama (fica a 84 km da Capital da Amizade), reconhece que hoje há pouca integração com o polo, mas aponta que existe uma mobilização para reverter isso.
"Há poucos dias, tivemos uma reunião da Amerios (Associação dos Municípios da Região de Entre Rios), e foi decidido que a Unipar (universidade privada) e o Instituto Federal do Paraná vão fazer uma capacitação de funcionários municipais para ver o que poderíamos fazer para (proporcionar) um desenvolvimento integrado", explica.
O prefeito aponta ainda que, desde a criação da RMU, os municípios já foram beneficiados com o aumento do subsídio do Minha Casa Minha Vida e o barateamento das passagens de ônibus.

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