IRRESPONSABILIDADE - 'O maior prejuízo é o tempo que foi gasto'
Reinaldo Martins Côrrea faz parte do grupo de candidatos que terão que fazer a prova do concurso da saúde de Londrina pela terceira vez. Ele concorre a uma das vagas de auxiliar de enfermagem na área de saúde da família e atenção domiciliar. "É a primeira vez que vejo isso", critica Côrrea, que é funcionário concursado na Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Cambé (Região Metropolitana de Londrina).
"O maior prejuízo é o tempo que foi gasto. Você trabalha, tem que se planejar (para se preparar para o concurso). O transtorno é enorme. Chega em casa cansado e tem que achar um tempinho para estudar. Eu não tenho computador, tenho que usar lan house para fazer pesquisas para a prova", relata. "Só não desanimei porque (o emprego como auxiliar de enfermagem) é bom para mim. Você não pode desistir de algo que é bom para você."
Carlos Alberto Vidal, diretor do curso preparatório CDF Aprovação em Londrina, já se deparou com situações de anulação de concursos públicos antes, e descreve que os transtornos provocam a desistência de muitos candidatos.
"No primeiro momento, a reação do candidato é de raiva, frustração, por ter passado meses se preparando, deixando de lado a família, até mesmo o trabalho, pegando férias para estudar... Depois, muitos ficam perdidos, sem saber o que vai acontecer, se vai haver concurso novamente", afirma.
Ele relata que um aluno do cursinho que se preparou para um concurso em Brasília desistiu depois que o processo foi anulado mesmo com a possibilidade de ser remarcado adiante. "Ele teria que fazer o investimento todo de novo. Ele gastou aproximadamente R$ 1,2 mil em deslocamento, hospedagem e alimentação. Esse é um gasto que não tem como ser ressarcido. A taxa de inscrição (que é devolvida quando concursos são anulados) é o menor valor gasto pelo candidato", lamenta.
"Para nós (cursos preparatórios), a anulação também não é interessante, porque menos candidatos vêm se preparar, ou vêm com menos vontade. Nesse concurso da saúde de Londrina, muita gente não veio nos procurar depois que a primeira tentativa foi anulada. A maioria talvez não tinha como investir tudo outra vez", explica Vidal. (F.G.)





