Investimentos são escassos
Paulo Fernando de Moraes Nicolau, diretor da Clínica Psiquiátrica de Londrina (CPL), afirma que a saúde mental está sofrendo o reflexo de uma direção ideológica e não técnica das políticas públicas. "Nenhuma linha da lei antimanicomial diz que não pode haver internação. Mas com a mudança no sistema, houve uma piora considerável do acesso ao atendimento. A situação está tão alarmante que as doenças psiquiátricas e transtornos mentais já são a terceira causa de afastamento no trabalho."
O médico também atenta à falta de investimentos nessa área, com a prioridade aos recursos tecnológicos no lugar dos cuidados humanos. "Apesar de ser um problema reconhecido no País, os investimentos não passam de 1% dos gastos em saúde. Desde a mudança no sistema, mais de cem mil leitos psiquiátricos foram fechados. Muitas famílias acabam recorrendo ao judiciário na busca de uma vaga", diz Nicolau.
A internação na CPL, conforme o diretor, só é realizada com encaminhamento da equipe do Caps. "São eles que avaliam se o paciente tem necessidade de ser internado. No entanto, um dos maiores problemas que temos enfrentado é que os casos que chegam aqui já estão muito comprometidos, com recuperação mais difícil", diz, acrescentando que é preciso modificar as distorções sobre as internações para que seja oferecida melhor qualidade de vida aos doentes.
Ainda segundo ele, dados do Ministério da Saúde apontam que cerca de 3% da população brasileira possui algum tipo de transtorno mental severo e persistente e outros 6% possuem transtornos graves em decorrência do uso de álcool e drogas. "Do total, 12% necessitam de algum atendimento contínuo. Dependendo da necessidade do paciente, a internação é a saída e não há possibilidade de perguntar se deseja ir ao hospital", revela.
A clínica em Londrina possui 300 vagas para transtornos mentais e outra unidade com 65 vagas para dependentes químicos. As altas médicas acontecem, em média, com quatro a cinco semanas, de acordo com o resgate do equilíbrio mental. O local é mantido por recursos do Estado e do município. "Infelizmente, a liberdade da doença mental nem sempre é a 'rua'. Há várias pessoas que acabam indevidamente em abrigos ou na prisão." (M.T.)





