Investimentos devem duplicar demanda
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domingo, 20 de novembro de 2011
Andréa Bertoldi <br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os novos investimentos anunciados pela Renault para o Paraná devem duplicar a demanda por engenheiros. Hoje, a unidade emprega 525 engenheiros e pretende chegar a mil nos próximos anos. A montadora francesa deve produzir 13 novos modelos de veículos no Brasil até 2016. A marca prevê a produção de mais 100 mil veículos por ano. Na prática, este aumento equivale a uma nova fábrica. Com isso, a capacidade produtiva atingirá um volume de 383 mil carros por ano.
O investimento de R$ 1,5 bilhão da empresa prevê, além dos novos carros, a criação de um centro de desenvolvimento de produtos e de engenharia e um centro de internalização de carros e peças, que será instalado em Piraquara. Do total que será aplicado, R$ 1 bilhão será destinado para engenharia e desenvolvimento de produto. A Renault prevê a contratação de 2 mil novos funcionários no total.
O coordenador do curso de Engenharia Mecânica da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Key Fonseca de Lima, disse que serão necessários engenheiros de várias áreas como mecânica, elétrica, eletrônica, mecatrônica e engenharia de produção.
Para o diretor de relações empresariais e comunitárias do campus Curitiba da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e professor do curso de Mecânica, Nicolau Afonso Barth, o investimento da Renault abre ''um novo mercado para os profissionais''. Também serão necessários engenheiros de computação, porque hoje os carros têm muita tecnologia embarcada.
Outros profissionais que serão beneficiados são os tecnólogos das áreas de mecatrônica e automação. Ele ainda prevê demanda por tecnólogos e engenheiros nas áreas ambiental e química. ''Nossos alunos são bastante procurados pela Renault para estágio e emprego'', disse.
O presidente em exercício do Conselho Regional de Engenharia do Paraná (Crea-PR), André Luis Gonçalves, acredita que a procura também será grande por engenheiros civis. Ele destacou que ao redor da fábrica haverá a necessidade de melhorar as vias de acesso, realizar investimentos em hotelaria, entre outros.
Comportamento
Hoje há falta de engenheiros no Brasil. De cada 10 formandos, apenas um é na área de Engenharia quando o ideal seriam quatro. ''E, no futuro, vamos precisar de mais engenheiros ainda com este crescimento de 3% a 4% ao ano do Produto Interno Bruto (PIB)'', disse Lima.
De olho no comportamento do mercado, a UTFPR ampliou o número de vagas nos últimos três anos de 1,5 mil para 3 mil. Barth disse que as empresas buscam engenheiros com forte conhecimento na área tecnológica, com bom relacionamento interpessoal, pró-ativos, com iniciativa, criativos e que consigam buscar soluções rápidas para os problemas.


