Investigação sismológica é trabalhosa e demorada
Em um anfiteatro lotado com cerca de 2 mil pessoas, todas conversam em voz alta e ao mesmo tempo. Uma delas tem uma informação importante que você precisa. Mas o assunto só dura alguns segundos. Depois disso, só lhe resta analisar gravações do local com os 2 mil diálogos simultâneos atrás de sua informação. Esse é mais ou menos o nível de dificuldade dos sismólogos para identificar o epicentro dos tremores em uma cidade.
Pinese explica que como os focos dos tremores estão dentro da cidade, os dados são poluídos. Os aparelhos são sensíveis às vibrações e misturam as ondas geradas por caminhões ou aviões pousando, por exemplo. Cada um dos quatro sismógrafos da Universidade de São Paulo (USP) instalados em Londrina captam 500 registros por segundo, em um total de 2 mil informações. Parte dos dados é enviada para o Centro de Sismologia da USP, em São Paulo, outra é armazenada em cartões de memória.
O software consegue eliminar cerca de 70% de ruídos, ondas com características diferentes das que são objeto de estudo. "Mas mesmo assim, é necessário um ser humano para analisar cerca de 50 eventos por segundo. É trabalhoso e demorado. Não tem como dar a resposta amanhã. Isso às vezes a população não entende", explica Pinese. "Em meio a tudo isso aparecem os falsos messias com explicações sem o mínimo de embasamento científico. Se não concordam com o relatório, que façam um melhor", critica.
Segundo Marcelo Assumpção, há dois tipos fundamentais de ondas sísmicas. A onda P ou longitudinal é o som que se propaga no ar. Ela é a primeira a chegar, porque tem velocidade de propagação maior. E a onda S ou transversal, que, conforme se propaga, as partículas do meio oscilam perpendicularmente à direção de propagação. Pinese conta que vários moradores questionaram por que os tremores não foram sentidos em outros pontos da cidade. "Em um tremor de magnitude baixa, as ondas não têm força para se distanciar da área epicentral", justifica.
Como cada onda tem uma 'digital', uma característica própria, Pinese e os técnicos da USP foram até uma pedreira para achar a 'marca registrada' do basalto. Com oito toneladas de explosivos, eles geraram um onda para comparar o padrão obtido com as captadas pelos sismógrafos. No entanto, durante as explosões, um sismógrafo registrou um tremor de 2,8 pontos de magnitude. "A máquina se confundiu e mandou os dados para central. No outro dia tivemos que explicar tudo rapidamente. Vida de geólogo não é fácil", brinca.
Pinese explica ainda que a escala Richter que avalia os sismos é logarítmica, o que significa que um terremoto de 7 pontos é 10 vezes maior que um de seis pontos, que é cem vezes maior que o de 5, mil vezes maior que o de 4, assim por diante. (C.F.)





