Antes mesmo da existência de boates específicas para o público LGBT em Londrina, um bar atraiu esta comunidade justamente por ser um espaço democrático e voltado para as artes. Fundado em 1979 pelo professor e diretor de teatro José Antônio Theodoro, o Valentino tornou-se rapidamente um reduto que atraía representantes da efervescente cena cultural de Londrina. Em 1991, o casal formado por Valdomiro e Rosângela Chammé assumiu o empreendimento e manteve o caráter de bar cultural para todo tipo de público. "As pessoas vêm ao Valentino para ver shows, se divertir. Os artistas também fazem questão de se apresentar", diz Chammé, que sempre recebeu muito bem o público LGBT apesar de não ter eventos focados especificamente nesta comunidade.
"Acolhemos a todos sem fazer diferença, no Valentino não há discriminação", diz ele, que não se incomoda com o fato do bar ser considerado um reduto alternativo. "Achamos até melhor que as pessoas que se aborrecem com manifestações de afeto não venham ao bar causar confusão. Mas o contrário também ocorre, muita gente se surpreende positivamente com o clima", conta.
Chammé tem orgulho de comandar um bar que foi pioneiro em propagar o respeito às diferenças. Hoje, acredita que a mentalidade dos londrinenses evoluiu, o que se expressa inclusive na presença de muitos pais, mães e filhos no ambiente. "O interesse do público tem que ser na música, nas comidas, nas bebidas. O resto é irrelevante porque no Valentino todo mundo é bem-vindo", ressalta.
O resultado da gestão pautada pela pluralidade é a boa convivência. "Preservamos o clima que encontramos. A amizade que desenvolvemos com todos é a maior recompensa." (C.A.)

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