INTOLERÂNCIA - Uma morte a cada 27 horas
Estatística divulgada pelo Grupo Gay da Bahia revela que, no Brasil, a cada 27 horas, ocorre um homicídio motivado por preconceito contra a população LGBT. No ano passado, foram 318 assassinatos registrados, sendo 52% de homens gays, 37% de travestis, 16% de lésbicas, 10% de bissexuais, 7% de heterossexuais confundidos com gays ou lésbicas e 1% de amantes de travestis. Diante de dados que confirmam a extrema violência a que é submetida a população LGBT, a seccional paranaense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR) atua para combater a chamada LGBTfobia através da Comissão da Diversidade Sexual e Gênero da entidade. "Falamos em LGBTfobia porque o termo inclui a representatividade de todos os segmentos, não apenas gays e lésbicas", explica o advogado Rafael dos Santos Kirchhoff, presidente da comissão e coordenador da área jurídica do Grupo Dignidade. "A OAB tem comissões temáticas voltadas ao estudo do Direito e outras com papel social de agir diretamente sobre políticas públicas, como é o caso da comissão da diversidade", conta ele.
Um exemplo do trabalho é a participação no grupo técnico da Segurança Pública do Estado, que busca melhorar as estratégias de atendimento da população LGBT por polícia, delegacia e nos presídios. A comissão também atuou durante a elaboração dos planos municipais e estadual de educação, esclarecendo os legisladores sobre a necessidade da manutenção de ações de combate ao preconceito por identidade de gênero e orientação sexual, que na maioria dos planos acabou retirado.
Para Kirchhoff, o ataque em Orlando é mais um indicador da necessidade de atuação na defesa de garantias mínimas como é o direito à vida.
Segundo ele, a comunidade LGBT é estigmatizada porque contesta valores consolidados na sociedade. "O tabu gera reações violentas, pois há pouco costume de lidar com a diversidade", diz, lembrando que o Brasil é o país que mais mata pessoas trans no mundo.
O advogado acredita que, no mundo inteiro, é preciso lidar melhor com demonstrações homoafetivas em público. "A violência ocorre principalmente diante de manifestações de amor entre pessoas do mesmo sexo", alerta. (C.A.)





