Interferências ameaçam unidades de conservação
O Inventário das Florestas do Paraná vai incluir informações sobre os remanescentes localizados nas áreas de preservação do Estado. Segundo informações do IAP e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), existem atualmente 194 unidades de conservação públicas paranaenses, entre federais, estaduais e municipais. Além disso, o Paraná tem 222 reservas particulares reconhecidas pelos dois institutos.
Nas unidades públicas, são comuns relatos de interferências predatórias do homem e carências na fiscalização. Uma reportagem publicada pela FOLHA em junho mostrou que havia apenas um funcionário para cada 9,4 mil hectares de área protegida nas unidades de conservação federais paranaenses, e era frequente a necessidade de recorrer a parcerias com as polícias Ambiental e Federal.
Na Floresta Estadual Metropolitana, área de preservação de 410 hectares localizada em Piraquara (região de Curitiba) e administrada pelo governo do Estado, há duas ameaças principais ao remanescente de Mata Atlântica: a interferência do ser humano, já que a unidade está situada entre duas vilas, e a presença de espécies exóticas, especialmente eucalipto e pinus.
Segundo o gerente da unidade, Dionísio Janhaki, incêndios são comuns, pela proximidade das comunidades vizinhas e de rodovias, e pelo material orgânico gerado pelas espécies exóticas, que facilita esse tipo de ocorrência. Além disso, o eucalipto e o pinus, que chegam a ocupar metade da área da floresta, se dispersam e dificultam o desenvolvimento de espécies nativas.
''O maior problema é o pinus. A propagação da semente pode chegar a 15 quilômetros'', afirma Janhaki. De acordo com o gerente, os eucaliptos e os pinus foram plantados pela Rede Ferroviária Federal, antiga proprietária da área, que mantinha essas espécies para alimentar máquinas e fazer dormentes das linhas de trem.
A administração do parque aguarda a definição de trâmites internos do IAP para erradicar as invasoras. Para melhorar a fiscalização, há expectativa de contratação de mais funcionários - atualmente, a unidade tem apenas três, o gerente, um jardineiro e um vigia noturno. Não há estimativa de quando essas duas medidas serão adotadas.
Janhaki acredita que o Inventário das Florestas será útil para preservar os remanescentes de unidades de conservação. ''Se forem retiradas as espécies exóticas, a regeneração é muito rápida. Em outras unidades, já verificamos que em três anos após a erradicação já há recuperação das espécies nativas, e em 10 anos, já não há sinais (das exóticas)'', explica o gerente. (F.G.)





