‘‘As Vilas Rurais não são a maravilha defendida pelo governo, mas também não podem ser consideradas inviáveis. Com alguns ajustes, poderão atender de maneira mais eficiente os trabalhadores rurais.’’ A opinião é do coordenador técnico da Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Paraná (Fetaep), Sérgio Gutierrez. ‘‘Não se pode dizer que se trata de um programa de reforma agrária, porque não é, mas é uma iniciativa concreta do governo em oferecer condições de moradias mínimas para as famílias de bóias-frias’’, opina.
Para conseguir fixar o homem no campo, dando condições de trabalho viáveis, o poder público precisa oferecer habitação, terra e condições econômicas para as famílias. ‘‘No caso das Vilas Rurais, o trabalhador só recebe a casa’’, diz. Um dos principais problemas indicados pelos moradores aos sindicatos de trabalhadores rurais é a falta de espaço para cultivo. Com apenas meio hectare por família, a produção agrícola precisa ser altamente produtiva para se viabilizar financeiramente. Além disso, falta infra-estrutura.
Na Vila Rural José Sossai, em Astorga (80 quilômetros a oeste de Londrina), não existe poço artesiano. Para fazer a irrigação das lavouras os produtores teriam que usar água da Sanepar, que é muito cara para esse tipo de atividade. ‘‘A vila ameniza a pobreza das pessoas, mas não resolve a preocupação com o futuro, pois as famílias não têm opções de trabalho dentro do programa’’, afirma Gutierrez.
O diretor da Fetaep sugere uma integração entre os programas Vila Rural, Banco da Terra (destinado à compra de áreas) e Pronaf (Programa Nacional de Apoio à Agricultura Familiar) como forma de superar as limitações do projeto estadual. Com recursos do Banco da Terra os moradores poderiam comprar mais terra e o Pronaf financiaria a produção agrícola deles. ‘‘Como a vila rural já oferece a moradia, com a integração teríamos todas as condições para fixar o homem no campo de fato’’, completa.

mockup