''Insegurança está ligada à inércia do Estado''
As figuras do vigilante, do vigia e do segurança armado são rotineiras nas cidades. Entretanto, a discussão em torno do serviço prestado por eles fica restrita aos momentos em que ocorrem problemas.
O presidente da seccional Londrina da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Lauro Zanetti, entende que o aumento da violência e da insegurança está ligado à ''inércia do Estado'' e não ao desnível social. ''O que preocupa é se esse pessoal está preparado para exercer a atividade'', ressalta.
Zanetti acredita que o sistema jurídico tem sua parcela de culpa no crescimento da violência. ''A punição é ineficiente e o sistema jurídico permite a reinscidência sem uma punição mais dura.''
O presidente do Conselho Comunitário de Segurança em Londrina, Ivo Bassi, acha que o trabalho dos vigilantes é bom porque inibe muitos crimes e são bons informantes para a polícia. Por outro lado, ele assegura que o conselho vem lutando para melhorar as condições de trabalho para as polícias.
Segundo Bassi, atualmente a Polícia Militar tem apenas 20 viaturas em condições de uso e a Civil outras 12. ''Isso é totalmente insuficiente. Teríamos que ter mais de 40 viaturas pelo tamanho do município.''
No Legislativo de Londrina, o tema também passou em branco. O presidente da Câmara dos Vereadores de Londrina, Tercílio Turini (PSDB), pretende levar o assunto para apreciação da Procuradoria Jurídica da Casa, já que muitos vigilantes, como citou o sindicato, estariam trabalhando irregularmente.
Turini, entretanto, lembra que a questão do aumento da violência no município já foi objeto de audiência pública na Câmara. Ele cita a falta de emprego, as drogas e a falta de investimentos nas polícias como fatores que contribuem para o aumento da criminalidade.
Já o arcebispo de Londrina, Dom Albano Cavallin, destaca que, ''em tese'', a segurança é considerada um direito humano pela Organização das Nações Unidads. ''Uma obrigação inicial está claro que tem que partir do Estado, que ganha para isso''.
Mas ele pondera que a questão dos vigias irregulares deve ser tratada com muita cautela já que há muitas pessoas honestas desempenhando a função. (L.A.)





